Deus é singular no que diz respeito ao seu Ser, e plural no que diz respeito ao seu agir. O Ser representa a Sua essência e o Agir Sua forma. Logo o Deus que é imutável e único, age de maneira variada, segundo sua multiforme graça.
Mas quando invertemos os papéis, ou seja, atribuímos ao Ser Divino uma pluralidade e ao Agir DELE uma singularidade, ficamos por demais focados na forma. O que nos leva a sistematizar e a padronizar o agir divino, colocando – O dentro de uma moldura, “limitando” assim o Seu agir. (Menciono limitando entre “aspas“, pois o agir de Deus independe da percepção ou consentimento humano.)
Assim como naquela passagem “... quando eles O viram andar sobre o mar, cuidaram que era um fantasma, e deram grandes gritos” ( Marcos: 6; 49), muitas vezes também perdemos a sensibilidade do agir de Deus e nos confundimos.
Interessante notar nesta famosa passagem onde os discípulos confundem Jesus com um fantasma, que isso ocorreu pelo fato deles estarem demasiadamente focados na forma Eles esperavam que se Jesus aparecesse, ELE viria em um barquinho como se é de costume e normal. Mas para surpresa de todos, ELE vem andando sobre as águas !
Esse barquinho representa nossa padronização, sistematização e preconceito.O melhor é voltar nossa atenção para a essência divina, pois assim fazendo, estaremos abertos para as Suas variadas formas de agir.
Pois ora ELE abre o Mar Vermelho, ora ELE nos faz andar por sobre as águas. Não importa a forma, o certo é que Deus sempre esta trabalhando e intervindo diretamente na história.
Isso liberta a nossa cosmovisão (que é a maneira de enxergar a vida) dos paradigmas. E nos faz ver Cristo onde muitos só enxergam fantasmas.
Que venhamos nos focar na essência de Deus, pois esta é imutável. Já as formas, estas variam. Ele é livre para agir quando e como quiser.
E assim como ELE varia sua forma de agir, a Igreja também em tempos de pós - modernidade, precisa ter a conscientização da pluralidade do agir de Deus. A essência do evangelho é inegociável, mas a maneira de expor tal verdade precisa ser revista e adequada a realidade. Assim não haverá mais espaço para confusão.
Em Cristo que È poderoso para FAZER muito mais ...
A Guerra Fria foi um conflito que compreendeu o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). Este conflito se iniciou quando as duas potências (EUA e União Soviética) tentaram influenciar outros países acerca de seus sistemas políticos, econômicos e militares.
Somente essas duas potências tinham capacidade nuclear para ataque. De um lado a URSS buscava implantar o socialismo em outros países para que pudessem expandir a igualdade social, enquanto os EUA tentavam influenciar outros países com o sistema capitalista que se baseava na democracia e na economia de mercado.
É assim chamada de Guerra Fria, pois não houve uma guerra direta entre as superpotências. E caso houvesse ocorrido, não teríamos um vencedor (já que num eventual embate nuclear pouco sobraria do planeta).
O confronto não ocorreu pela via tradicional de guerra, antes foi uma guerra de ameaças. Militarmente, as duas potências, a fim de garantir suas áreas de influência, colocavam seus arsenais bélicos, inclusive nucleares, em permanente exposição. Um clima de tensão pairava no ar, devido à iminência de uma guerra nuclear.
Muitas vezes ficamos a mercê das ameaças que nos cercam, vivemos pressionados por um clima de tensão em muitas áreas de nossas vidas, fazendo com que o medo seja uma companhia diária. A qualquer momento uma “guerra” ou uma “tragédia” pode acontecer.
Quem diria quase 20 anos após o fim da Guerra Fria seu espírito ainda esta em voga nos nossos dias (na verdade já existia antes mesmo da Guerra). Veja que foi o mesmo artifício usado por Golias contra Davi:
Diz a bíblia que de repente “saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo. Trazia na cabeça um capacete de bronze, e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil siclos de bronze. E trazia grevas de bronze por cima de seus pés, e um escudo de bronze entre os seus ombros. E a haste da sua lança era como o eixo do tecelão, e a ponta da sua lança de seiscentos siclos de ferro, e diante dele ia o escudeiro.” (1 Samuel 17; 4 – 7)
Repare como Golias colocava seus arsenais bélicos em permanente exposição a fim de impressionar seus inimigos. A princípio ele vencia seus inimigos no psicológico.
E não obstante, ele ainda “parou, e clamou às companhias de Israel, e disse-lhes: Para que saireis a ordenar a batalha? Não sou eu filisteu e vós servos de Saul? Escolhei dentre vós um homem que desça a mim. Se ele puder pelejar comigo, e me ferir, a vós seremos por servos; porém, se eu o vencer, e o ferir, então a nós sereis por servos, e nos servireis. Disse mais o filisteu: Hoje desafio as companhias de Israel, dizendo: Dai-me um homem, para que ambos pelejemos.” (1 Samuel 17: 8 – 10)
O resultado foi que “Ouvindo então Saul e todo o Israel estas palavras do filisteu, espantaram-se, e temeram muito.”
Aqueles homens se deixaram levar pelas ameaças frias de Golias, nenhum deles se lembraram do poder que existe no Senhor dos Exércitos. Deixaram-se levar pela vista, e isso acabou gerando dúvida e por fim medo.
Mas Davi ousou enxergar além. Enquanto aqueles homens se impressionaram com o arsenal bélico de Golias, Davi enxergou o verdadeiro cenário daquela batalha e afrontou o Gigante dizendo:
“Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. (1 Samuel 17:45)
Diz a Bíblia que “Davi apressou – se e correu a encontrar- se com Golias. E Davi pôs a mão no alforje, e tomou dali uma pedra e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa, e a pedra se lhe encravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra. (versos 48 e 49)
“Assim Davi prevaleceu contra o filisteu, com uma funda e com uma pedra, e feriu o filisteu, e o matou; sem que Davi tivesse uma espada na mão.” (verso 50)
A Fé é antítese da dúvida, se a primeira vem pelo ouvir a Palavra de Deus, a segunda vem em dar ouvido a voz do nosso adversário. Não podemos levar em conta as ameaças que nos é lançada, seja em qualquer situação. O único objetivo delas é provocar neutralidade em nosso agir.
Lemos em (Tiago 4:7) para:
“Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”
Sujeitar a Deus implica em dizer sim a ELE, é falar a favor da Fé, que por sua vez é profetizar!
Etimologicamente falando ( pro.fe.ti.zar ) é isso: falar a favor da Fé.
É essa postura que devemos tomar perante as demandas da vida, pois muito mais que falar uma palavra mágica como sendo um “abracadabra”, profetizar nos conecta a Vontade do Pai, o que nos leva a ter uma consciência da verdadeira noção da realidade. Isso faz com que corramos para e não da situação que nos ameaça.
Por outro lado resistir ao Diabo implica em dizer não as ameaças provenientes dele. Pois a mentira é a principal ferramenta de trabalho do mal, não é a toa que o Diabo é o pai dela. Mal comparando é a mesma essência da Guerra Fria, uma guerra de ameaças.
Portanto devemos confiar naquilo que O Senhor prometeu para nós, pois ELE é Fiel com sua Palavra. Com isso muitos dos perigos e medo que nos assombravam deixarão de existir.
Assim chego à mesma conclusão que Robinson Crusoé, amadurecido por sua experiência, isolado na ilha, teria comentado com o amigo Sexta-Feira: “se há uma coisa que aprendi aqui, é que o medo do perigo é sempre muito maior do que o próprio perigo”.
"Somos humildes na esperança de um dia sermos poderosos."
(Aforismo de Carlos Drumond de Andrade )
Muitas vezes buscamos a humildade com o único objetivo de sermos poderosos, nós a utilizamos como uma alavanca para nos levar a lugares maiores. Por mais paradoxal que isso pareca ser, mas isto é uma verdade. Vemos pessoas adotarem uma pseudo - humildade, mas no fundo o que a mente esta tramando é chegar ao poder.
Será que ser humilde depende da circusntância em que estamos inseridos? Será que a humildade esta circunscrita a realidade monetária, étnica , religiosa ou social? Muito preconceito tem sido criado, associamos alguém com baixo poder aquisitivo como sendo humilde, e o contrário como sendo alguém soberbo. Poderemos tratar humildade e poder de forma linear, ou será que são realidade antagônicas impossíves de caminharem lado a lado?
Em primeiro lugar precisamos ser humildes em reconhecer que a humildade não é algo que faz parte da natureza humana, o homem é um ser extremamente soberbo, fruto da sua natureza corrupta. Soberba nada mais é do que querer ser o que não é, a fim de se auto – evidenciar. Diante disso precisamos recorrer a alguma refêrencia de humildade que nos norteie para o caminho correto.
Olhando para os lados não encontraremos nínguem dotado deste dom, mas reconhecendo que ela é um dom , e que todo dom vem de Deus, logo poderemos olhar para cima e encontrar tal refêrencia em Cristo, e que tem sua demostração plena na Cruz, onde o justo se entregou por amor aos injustos.
O apásotolo Paulo nos relata em (Filipenses 2. 5 – 9), como o Deus Transcendente se fez iminente, movido de extrema humildade:
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;”
Veja que Cristo mesmo sendo como Deus, não usurpou a ser como tal, antes se humilhou. Portanto a motivação Dele em abrir mão da sua divindade não foi com o intuito de se auto - evidenciar, como é na soberba, mas foi motivada pelo amor ao próximo.
Enquanto a soberba nos leva a buscar ser aquilo que não somos, a humildade nos faz abrir mão daquilo que somos se colocando a total disposição para servi, sem esperar nada em troca.
Mesmo sabendo que ELE exalta os humildes, não se deve buscar a humildade com o intuito de um dia ser exaltado.
Que sejamos humildes de forma incondicional. Caso contrário a soberba nos enquadrará no aforismo de Carlos Drumond de Andrade!
A humildade gera generosidade, ela faz com que sejamos generosos em dar e humildes na hora de receber.
Portanto a humildade independe das classes sócias, ela não é de fora para dentro, mas sim de dentro para fora. Podemos nos surpreender encontrando soberba na pobreza e também encontrando humildade na riqueza.
Termino com uma frase anônima que diz :
A humildade é uma coisa estranha. No momento em que achamos que a temos... já a perdemos.
Cristo é a fonte de humildade. O SEU exemplo faz com que tanto reis como plebeus sejam humildes.
“Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.” ( Lucas 18: 10 - 14)
Ambos subiram ao templo para orar, porém a motivação de um era completamente diferente do outro. Repare que o fariseu se colocou de pé e orava consigo, na verdade aquela era uma oração egocêntrica, trata-se de um informativo a fim de deixar Deus ciente das últimas noticias, esquecendo – se do fato de que Deus é Onisciente, e não precisa de nenhuma atualização humana, pois Ele sabe de todas as coisas.
Quando oramos precisamos estar conectados ao Pai, através do nome de Jesus, pois nós não sabemos orar como convém, mas o Espírito conhece as intenções do Pai, ao invés de orarmos mirando para nossa pessoa, devemos mirar em Jesus.
E esse tipo de oração são aquelas que pensam que se pode fazer um Deus a imagem e semelhança do homem, quando na verdade o caminho deve ser o contrário, é a imagem de Deus que serve como referência para nossas vidas, e que deve forja nosso caráter.
E a conseqüência disso é que quando o homem só olha para si, ele se acha acima da média, fazendo com que todas as demais pessoas sejam tachadas de pecadoras e imundas. Isso é fruto da presunção humana, a pessoa não consegue identificar os próprios erros, mas tem uma facilidade para perceber os erros dos seus semelhantes. E ele toma como base as suas obras, como se elas fossem a causa desse diferencial de moral em relação aos demais.
Isso demonstra uma falta de visão, pois quando o homem se compara com os demais, só existe dois caminhos, ou ele se sente como este fariseu superior, ou se sente inferior, dificilmente ele encontra uma referência linear, pelo contrário sempre cai em um dos extremos.
Olhando para Jesus, autor e consumador da fé (Hebreus 12:2ª)
Jesus deve ser nossa referência de vida, é para Ele que os nossos olhos precisam estar direcionados, e não para as circunstâncias em nossa volta, isso é andar por fé, é saber que por mais que façamos algo, quando comparado com Cristo, nossas obras não passam de trapos de imundices, e ai vem àquela bendita e paradoxal sensação de ser inútil. E esta convicção de inutibilidade nos leva a trabalhar e ao mesmo tempo nos estimula a prosseguir para o alvo.
Mas quando nossa vida é norteada pela vista, estamos fadados a nos tornar um fariseu, se achando acima da média dos demais, e caindo em uma conformidade de vida. Esse estilo de vida nos leva as zonas de conforto, uma vez que quando nos achamos superiores aos outros, não tem mais o que melhorar. È justamente ai que mora o perigo pois nos sentimos prontos, imbátiveis.
Vamos agora analisar a atitude do segundo homem, o publicano.
Este também se apresenta no templo para orar, só que diferentemente do primeiro, este fica de longe e nem se quer olha para o céu. Demonstrando com isso uma conscientização do abismo que o separava de Deus, sabendo que a única maneira dele ser ouvido e atendido por Deus, era reconhecer sua total debilidade, isso fica claro quando ele exclama; “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”.
È a mesma reação que Isaias teve ao contemplar o Senhor, “Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos.” ( Isaías 6:5 )
O sentimento gerado pelo Espírito Santo em nós, não é de superioridade mas sim de mediocridade, “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23), não restando para o homem outro caminho senão “O Caminho”, que é Cristo, o qual nos proporciona uma conscientizarão de que somos pecadores, e o mesmo Espírito Santo que nos convence dessa situação, é o mesmo que gera em nós o querer e o efetuar, fazendo com que saiamos da zona de conforto e entremos na zona de conflito, conflito com nossa carne, nosso eu , de maneira que quando pecamos, a graça de Deus nos sinaliza que algo estar errado, e que precisamos endireitar nossos caminhos.
Portanto Tenha Cristo como referência, por mais que seja impossível chegar aos pés DELE, mas pelo menos quando olharmos para cima veremos o quanto temos que andar e quão distantes estamos do nosso alvo, não restando outro caminho senão a humildade.
Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso... (Lucas 23:43)
Interessante notar que após Jesus ter prometido para aquele ladrão que HOJE mesmo estaria com ELE no paraíso, Jesus ainda passou alguns dias nesta terra antes de Sua ascensão aos céus. Será que Jesus havia se enganado? Isso eu garanto que não!
Sem dúvida aquele ladrão ao morrer foi imediatamente para a Glória. Então como e quando aquele HOJE se cumpriu? Tendo em vista que Jesus ainda ficou em terra por alguns dias.
O HOJE de Cristo não se referia ao hoje que estamos acostumados. Nós meros mortais habitamos no Tempo ou Chronos, onde existe passado, presente e futuro. Isso faz com que enxerguemos a vida de maneira segmentada.
Por outro lado o HOJE de Deus implica em uma síntese da tríade do tempo (passado, presente e futuro). Deus Habita na eternidade ou Kairos, onde não existe passado ou futuro, mas sim um constante agora. Todas as coisas acontecessem concomitantemente. Deus tem uma visão integral dos fatos.
Portanto quando aquele Ladrão fechou os olhos nesta vida, ele os abriu na glória junto com Cristo. Naquele momento aquele HOJE, ainda não havia se manifestado no nosso tempo, mas já era real na eternidade, pois “o que é, já foi; e o que há de ser, também já foi ...” (Eclesiastes 3:15a).
Não se deixe levar pelo hoje do homem, pois ele nos dá apenas parte dos fatos. Se renda ao HOJE divino para ter uma visão macro dos fatos.
Somos chamados a andar por fé e não por vista. Não devemos nos levar pelas circunstâncias ao nosso redor, mas antes devemos olhar para as coisas que são do alto.
Viver por vista nos faz refém do hoje, só enxergamos o aqui e o agora. Já a Fé nos conecta a eternidade, fazendo com que enxerguemos de forma holística os fatos. Ela nos possibilita enxergar o HOJE nos dias de hoje.
Com isso deixamos de murmurar e passamos a descansar no Senhor.
Assim como fez Jó, que mesmo tendo sua vida “arruinada” não ousou reclamar. Isso mostra que ele já tinha essa consciência do HOJE, que nos faz ter a certeza de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus...” (Romanos 8:28).
Jó viveu o HOJE mesmo vivendo ontem.
E nós que vivemos no amanhã, será que temos enxergado o HOJE?
Em Cristo que nos convida a viver o HOJE todos os dias, pois já vivemos no amanhã.
Existe uma grande procura no meio cristão pela “bênção”, a saber, a pessoa que Deus separou para vivermos uma grande história de amor.
Não existe nada de errado nisso, pelo contrário, há uma preocupação da parte de Deus em tratar da nossa vida sentimental, ELE se importa com isso.O que tem sido motivo da minha reflexão são as motivações que nos levam a procurar e buscar tal “bênção”.
Antes de tudo, a nossa referência de Amor deve ser encontrada em Jesus, tendo em vista que Deus é Amor. O Amor faz parte da natureza Divina. Logo ninguém melhor do que ELE para nos ensinar a amar.
E tal referência é sintetizada no que é considerado o texto áureo da bíblia:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
(João 3:16)
Será que Deus foi motivado a amar o mundo para satisfazer uma carência ou uma solidão? De maneira nenhuma! ELE é o Deus auto – suficiente (El Shaday), não precisa de nada e nem de ninguém para completá-lo.
Infelizmente temos buscado amar motivados pelo amor próprio. Por mais paradoxal que isso pareça ser.
Muitas vezes almejamos amar para satisfazer um “vazio” existencial, para nos livrar da solidão ou desencalhar. Ou simplesmente por medo de ficar para “titio (a)”.
Buscamos amar para que em primeiro lugar nossas “necessidades” sejam supridas, fazendo com que a pessoa a ser amada fique em segundo plano.
Um amor motivado pelo medo não pode ser Amor, já que o verdadeiro Amor lança fora todo medo!
O que se tem visto é uma busca desenfreada para encontrar a “cara – metade”, o “varão” ou “varoaperfeita”, a fim de se alcançar a tal sonhada felicidade.
Parece que não existe outro alvo na vida a não ser este. Alguns ficam desanimados, tristes e preocupados com tal situação. Isso porque fazem da felicidade um fim, quando na verdade ela deveria ser um meio de viver a vida.
Para ser feliz nada melhor do que trocar preocupações por ocupações. Pois é no Caminho que os propósitos de Deus se desenrolam, as coisas vão acontecendo.
Portanto antes de dar lugar ao desânimo, esteja aberto para o bom ânimo que Jesus nos orientou a ter. E este Bom Ânimo nos levará a estudar e a trabalhar, a desenvolver coisas novas, a ter objetivos de longo prazo.
Tenho notado que Deus nos dá tudo, quando não fazemos questão de nada.
Passaremos a colocar a satisfação alheia em primeiro plano. E a nossa satisfação encontrará guarida quando o próximo estiver satisfeito. E vice e versa, um completa o outro.
Amar de dentro para fora! Motivados no Amor que é operado pela Fé. Com o fim de satisfazer o próximo. Isso é amar segundo Jesus.
Nada de criar meio artificiais para se chegar ao amor. Que sejamos reféns da naturalidade do agir de Deus.
Esta era uma das principais características atribuídas ao garoto da canção que ficou famosa com os Engenheiros do Havaii. Pois encontrar alguém capaz de transformar essas duas antíteses e uma síntese era algo raro.
Quem tinha admiração por uma banda, necessariamente tinha repudio por outra. Isso devido ao estilo de música praticado por cada uma. Tendo em vista que os Beatles foi inicialmente influenciado pelo Rock and Roll e pelo Skiffle (Um tipo de música jazz, popular entre a juventude na década de 1950). Já os Rolling Stones colocava sua sonoridade no Blues.
Havia também o fator tempo, já que os Beatles surgiram 10 anos antes dos Rolling Stone.
Logo me pergunto. O que levava aquele garoto da canção a amar esses dois extremos? Talvez se o os Beatles viessem a descobrir que ele amava os Rolling Stones, ficariam com raiva e não retribuiria todo carinho e amor que o garoto depositava na banda. E o mesmo vale para o inverso.
Com certeza o garoto conseguiu identificar algum vínculo que servia de ponte para unir essas duas bandas. Não sei qual seria tal vínculo, mas a essência disso podemos encontrar no que o apostolo Paulo escreve aos Coríntios:
“Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando – vos cada vez mais, seja menos amado.”
(II Coríntios 12:15)
O amor que Paulo dedicava àquela gente era completamente incondicional. Ele não esperava nada em troca.
Infelizmente hoje em dia o que esta na moda é só gostar de quem gosta de nós (Até existe canção para isso). Se Paulo tivesse em mente esse espírito, não ousaria declarar que continuaria amando cada vez mais, ainda que fosse menos amado. Ele havia compreendido a largura do Amor que abrange a todos.
Este ó caminho inaugurado por Jesus. ELE nos chama para amarmos ao nosso próximo, mesmo que esse próximo esteja desaproximado pela classe social, religiosa e até mesmo geográfica.
Amar não é investir, não se deve esperar um Pay Back. O mesmo Paulo fala no verso anterior ao acima citado, que não buscava o que era dos coríntios, mas sim aos coríntios. Seu amor era focado no ser e não no ter.
Outro fator essencial encontra-se em Efésios 4:3:
“... procurando guarda a unidade do Espírito no vínculo da paz”.
Buscar um vínculo, este é o segredo para construir uma linearidade onde só exista polaridade.
Já as diferenças existem para que nos sirvam de suprimento das nossas carências. Tento em vista que a abundância de um supre a falta do outro. (Veja, I Coríntios 8:14ª).
Em alguns casos ser ponte provoca dor, pois você esta se sujeitando a ser constantemente pisado. Mas o prazer sentido quando servirmos de caminho é muito maior.
Tenho buscado viver isso. E hoje olhando um pouco meu histórico percebo que Deus já tratava comigo deste pequeno. Pois sou o mais novo de três irmãos, o mais velho torce pelo Vasco, o do meio é Flamengo e eu sou Fluminense.
Quanta diferença! Isso sim é amar “os Beatles e os Rolling Stones”.
É isso, devemos adorar por aquilo que ELE É ! Chega de buscar um "Cristo Artificial ", eu quero o Essencial. O Cristo que age tanto no Sobrenatural quanto no Natural. E quanto as demais coisas? Ah, elas serão acrescentadas, por pura Graça !
Certa vez ouvi de um dentista a seguinte recomendação: “Espero que você se esqueça que possui dentes, mas caso você se lembre deles, é sinal de que alguma coisa esta errada, por favor, me ligue”.
È verdade, só lembramos que temos dentes ao sentir dor, ou quando sofremos algum tipo de lesão. Fora isso passamos os dias de nossas vidas sem notar a presença deles, mesmo os utilizando diariamente.
Essa recomendação do dentista me fez refletir sobre uma questão relevante: será que nossa relação com Deus, tem sido similar com a que temos com nossos dentes? Creio que o Senhor é o nosso socorro bem presente na tribulação, e esta conosco todos os dias de nossas vidas. Sim de fato ELE é um Deus presente em todos os momentos, mas e quanto a nós. Temos notado e lembrado da Sua presença em nossas vidas? Ou somos daqueles que só lembram de Deus quando o tempo é mal, e depois se esquece achando tudo normal?
Nossa correria muitas vezes nos faz esquecer de Deus, sorte nossa que ELE não se esquece de nós, e que Seus olhos permanecem sobre todos, nosso Deus é zeloso, e é fiel por causa da Sua palavra. Um dos indícios de maturidade cristã reside no fato de colocarmos nossa mente em total conexão com a do Senhor, com isso poderemos dizer como o salmista “Eu me lembrarei das obras do SENHOR; certamente que eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade.” (Salmos 77,11).
Lembrar do Senhor nos faz render graças por aquilo que ELE fez, faz e fará em nossas vidas. Com isso passamos a nos relacionar com um Deus que é muito mais do que um “pronto socorro”, pronto para aliviar nossas dores (embora também seja), mas isso não é tudo. Vamos parar de colocar Deus dentro de uma “caixinha de fósforo”, um Deus que esta mais para um gênio de Aladdin, que apenas é usado pelos homens para satisfazer suas necessidades.
Ah, como seria bom se almejássemos o Senhor independente da circunstância em que estejamos inseridos. É por isso que o homem não deve ser norteado por vista, mas por fé. Ser norteado por vista implica estar à mercê das demandas da vida, com isso só corremos para o Senhor por medo, ou para aliviar nossa dor.
Veja. Creio que Deus possa usar desse meio, conheço pessoas que se renderam a Cristo “devido” a algum momento de tribulação (alguma dor de dente), mas isso não deve ser um fim, e sim um meio. Falo isso pois sei que nosso Deus age da maneira que ELE quer.
Mas o problema é que nos dias de hoje, muitos só buscam a Deus em tempos difíceis, proporcionando assim uma relação condicional com o Pai. Com isso qualquer coisa se torna motivo para o homem se “desviar”, basta surgir o primeiro problema, para que tudo seja colocado em xeque. É interessante que Pedro trata deste assunto de maneira um tanto quanto “nojenta”, mas com muita sabedoria, veja:
“Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama.” (2 Pedro 2,22)
Aqui Pedro nos fala acerca daqueles que certa vez escaparam das corrupções do mundo, mas que foram outra vez vencido nelas. Estes são semelhantes ao cão que voltou para o seu vômito, ou seja, só precisou de Deus para aliviar o seu mal estar, somente para colocar o que estava causando este mal para fora, uma fez feito isso, o homem volta a praticar o que outrora fazia. Eis o perigo de enxergarmos Deus somente como uma “válvula de escape”, ou como um “alivia dor momentâneo”.
Mas quando focamos no Cristo que “É”, automaticamente temos acesso ao Cristo que “Faz”, ainda que primeiramente sejamos motivados em buscá-lo por aquilo que ELE tem para nos oferecer, devemos nos manter Nele por aquilo que ELE é.
Que nossas necessidades sirvam apenas como um instrumento da graça para nos atrair, é isso mesmo. Vamos enxergar graça nas desgraças da vida. Pois muitas vezes são elas que nos levam a buscar a Deus. Mas uma vez estando NELE, temos que parar com as coisas de menino, e almejarmos pelo Cristo essencial. Aquele cuja graça nos basta.
Não vamos colocar a carroça na frente dos bois, ou seja, nada de colocar o agir de Deus na frente do Ser de Deus, pois o próprio Jesus nos orienta a isto naquela famosa passagem que diz:
“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6,33).
As demais coisas serão manifestadas por pura graça, pois o Deus que é amor age de maneira graciosa para com aqueles que Ele ama.
É interessante notar que de fato, homem nenhum possui forças para buscar a Deus, dado o estrago que o pecado provocou na nossa comunhão, portanto é impossível para o homem natural reconhecer quem Deus é.
É neste cenário que entra o papel da lei, pois é através dela que tomamos ciência do quão afastados estamos de Deus, com isso o Espírito Santo nos faz constatar de que somos carentes da glória de Deus, e gera em nós uma “dor de dente” que nada mais é do que o agir do Seu Espírito em nós, fazendo com que corramos para o “dentista” (Cruz, graça) onde ali iremos receber a cura para nossa dor.
Glória a Deus por essa verdade, minha oração é para que cada um de nós se lembre de Deus, todos os dias e momentos de nossas vidas. Termino em coro com o salmista:
“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.” (Salmos 103,2).