segunda-feira, setembro 12

A Graça nos Detalhes


Por Bruno Jardim 

Ela estava nos cochilos da tarde depois da aula e também naquele cheiro de café que sentia por volta das 16hs de uma terça feira cinzenta, enquanto assistia Lagoa Azul na sessão da tarde.

Ela estava no canto da cigarra. Que ao mesmo tempo que servia de apito final para a brincadeira de bola na rua, também servia de trilha sonora para mais um crepúsculo no subúrbio.

Ela estava naquele cheirinho do material escolar novo que dava até pena de usar.

Ela estava nas noites em que não conseguia dormir, só porque no dia seguinte tinha passeio da escola; museu, zoológico, cinema... Ah, ela estava também na bagunça do ônibus!

Ela estava quando ainda criança, encontrei com minha professora na rua e me dei conta que ela era uma pessoa normal!

Ela estava quando eu arrumava as coisas pra ir dormir na casa do melhor amigo. E também quando o melhor amigo vinha dormir em minha casa.

Ela estava naquele dinheiro amassado que eu recebia da minha vó para ir comprar doce na quitanda da esquina.

Ela está aqui enquanto escrevo e você lê este texto. 

Ela é tudo em todos e se faz percebida nos detalhes inesquecíveis da vida.

Não há nada que a pague ou apague, Pois ela é de graça e permanente.

domingo, setembro 4

Misericórdia e Graça



Por Bruno Jardim 

Quando era inimigo...
Pela Misericórdia fui aceito e amado.
Pela Graça, tornei-me desejável e amável.

Quando era estrangeiro...
Pela Misericórdia fui hospedado.
Pela Graça, recebi todo cuidado.

Quando estava perdido...
A Misericórdia foi o ventre que me acolheu.
A Graça, foi o braço que a mim se estendeu.

Quando voltei para casa...
A Misericórdia me recebeu no portão.
A Graça, matou o melhor Cordeiro para celebração.

Agora que estou no caminho...
A Misericórdia é a primeira milha que devo andar.
A Graça, é a segunda, que me faz ir além do caminhar.

sábado, agosto 20

7 Coisas que aprendi com os 7 x 1 da Alemanha


Por Bruno Jardim 


1° A VIDA É IMPREVISÍVEL

A única certeza da vida é que teremos surpresas.

Devemos sim planejar, ter projetos, mas nunca colocar nosso planos acima Daquele que tem o Plano maior. O Seu propósito sempre irá prevalecer.

“Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor.” Provérbios 19:21

2° HUMILDADE

Todos somos uma boa obra em andamento, e as vezes durante este processo de aperfeiçoamento, é necessário recebermos duros golpes para lembrarmos que não somos lá grande coisa.

Quando o homem começa a se achar, Deus nos fura com uns espinhos na carne para nos murchar.

Sim, os 7x1 servem de espinhos em nossa carne. E nem adianta orar pedindo para tirar.

3° BOM ÂNIMO

"Ih lá vem mais, ih lá vem mais, virou passeio.... gol da Alemanha..."

“...no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo...” João 16:33
A aflição não tem agenda, ela vem de onde menos esperamos. Temos a tendência de ficar paralisados diante do imprevisível. O cérebro entra em “tilt”, tudo se trava e não conseguimos mais nos movimentar.

Ânimo tem a ver com movimento, animação. Ou seja, é aquilo nos move. Já o inanimado, é o que não se move, fica desfalecido, cujas forças físicas e mentais se esmorecem.

Por isso que Cristo nos orienta para termos, em meio as aflições, o bom ânimo. É para nos movimentar sempre, independente das circunstâncias.

4° O TODO É MAIOR QUE A SOMA DAS PARTES

A frase “o todo é maior que a soma das partes” foi escrita pelo movimento alemão denominado Gestalt. Em alemão, “gestalt” significa algo como “forma” ou “aspecto”.

Este movimento trouxe à tona a necessidade de tornar, patente o que está implícito. Tornar sólido o que está líquido.

Exemplo: "A+B" não é simplesmente "A+B", mas sim um terceiro elemento denominado "C".

No caso do Jogo: “Manuel Neuer + Philipp Lahm", formou um terceiro elemento chamado “Equipe Alemã”. Enquanto que “Neymar + Neymar”, nunca poderia formar uma equipe, mas apenas outro "Neymar". Tanto é que quando ele não jogou, o time também “não jogou.”

É integrando as partes conhecidas que nos tornamos aquilo que realmente somos e assim a vida flui de forma mais saudável.

O homem sempre está em processo de desenvolvimento. Não se pode parar de movimentar, só existe aperfeiçoamento, onde há movimento.

Uma andorinha só não faz verão. “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.” 1 Coríntios 12:12.

5° TUDO PASSA....TUDO PASSARÁ

Apito final! Gol da Alemanha...Não! Depois do apito final, não houve mais gols (senão seria 20 x 1 ...rs)

A verdade é que nenhum dilúvio dura para sempre. Haverá sempre uma pombinha com um ramo de oliveira em seu bico para nos fazer lembrar que o tempo da tempestade passou.

A tempestade não é permanente, mas as lições que aprendemos com ela devem ser para sempre. Não adianta fazer as mesmas coisas e ainda sim querer obter resultados diferentes.

A melhor maneira de valorizar as experiências que vivemos é colocando em prática as lições que elas nos ensinaram.

6° RESPEITO

A seleção da Alemanha respeitou a nossa. Se eles quisessem daria pra fazer muito mais que 7. Eles colocaram o pé no freio em respeito a histórica e camisa do Brasil.

Não devemos jamais aproveitar do momento de fraqueza alheia para menosprezar o outro.

Por mais que um pavio esteja fumegando, ele ainda tem a potencialidade de voltar a arder e a queimar. O mesmo sopro que pode salvar um pavio que fumega é o mesmo que poderá apaga- lo de vez. Tudo depende da maneira que iremos soprar.

Amar é respeitar as limitações do outro.

7° SOBRIEDADE

Hoje a Alemanha é a referência de melhor futebol do mundo. Anos atrás era a Espanha e antes, por muitos anos foi o Brasil.

Interessante como as coisas na nossa vida vão e vem. É como uma roda gigante que insiste em rodar, ora estamos no alto, depois estamos por baixo.

A vida é feita de altos e baixos, de drama e comédia, de choro e riso.

Tendo em vista que tudo muda, precisamos ser sóbrios em tudo. “Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições.” 2 Timóteo 4:5

Ser sóbrio é ter equilíbrio, é não se deixar embriagar pelo vinho que os momentos alegres proporcionam e nem se deixar deprimir pelos momentos tristes.

Vivemos em um mundo que é cíclico. E a melhor maneira de viver em um mundo cíclico é mantendo uma postura linear.

O importante é não ficar tonto com o giro das circunstâncias, antes tenha seus olhos mirados de maneira linear na direção de Cristo, sem se desviar para esquerda e nem para direita. “Pois bom e reto é o SENHOR; por isso ensinará o caminho aos pecadores.” Salmos 25:8.

E assim, podemos todas as coisas em Cristo que nos fortalece; estar abatido, ter abundância, como a padecer necessidade, ter fartura, como a ter fome, levar 7x1, como ser penta campeão...Filipenses 4: 12 e 13.

quinta-feira, agosto 18

Vácuo?



Por Bruno Jardim 

"...estando arraigados e fundados em amor, possais compreender, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento." Efésios 3:17-19

Na Manjedoura vemos a PROFUNDIDADE de Seu Amor. É Deus mergulhando de cabeça nas águas da humildade e se fazendo um de nós.

Na Cruz vemos o COMPRIMENTO de Seu Amor. É a oferta vitalícia sendo consumada por meio de Seu Sacrifício, que vaza pelo tempo e pela eternidade...

No Túmulo vemos a LARGURA de Seu Amor. A surpreendente abrangência de Sua obra redentora, que nem a morte escapa, e acabou sendo alcançada por ela.

No Trono vemos a ALTURA de Seu Amor. O Cristo ressurrecto, que foi entronizado e Reina soberanamente, acima de tudo e todos.

Muitos declaram que Jesus não quer ser visto como crucificado, mas unicamente como ressurrecto. Que a manjedoura, o túmulo e a Cruz estão sem ninguém.

Cuidado, pois a maior estratégia do mal é fazer com que o homem desvie seus olhos da Cruz. Não podemos perder a Cruz de vista!

Pelo prisma do tempo, não faz sentido procurar em uma manjedoura quem já é adulto, assim como buscar encontrar na Cruz, quem é Rei e entre os mortos, quem vive.

Isto ocorre pois nossa vista natural só enxergar a vida em 2D (2 dimensões), Tempo/Espaço. Olhando assim, de fato a manjedoura, a Cruz e o túmulo estão vazios.

Mas, a Fé nos leva além, fazendo com que enxerguemos a vida em 4D, pelas quatro dimensões do Amor (profundidade, comprimento, largura e altura).

Por este prisma, o Espaço/Tempo torna-se irrelevante diante da imensidão da eternidade do Amor.

Tudo que é tocado pelo Amor ganha status de eterno.

Diante da eternidade não existe passado ou futuro, mas sim um constante agora. Todas as coisas acontecessem concomitantemente. Deus tem uma visão integral dos fatos.

Portanto a Manjedoura, a Cruz, o Túmulo e o Trono não estão vazios. Antes, estão preenchidos pela Onipresença Daquele que é tudo em todos.

Quando olhamos firmemente para Ele, que é o autor e consumador da nossa Fé, nos deparamos com a plenitude do Seu Amor, que é eterno. De modo que enxergamos o menino nascendo na manjedoura; o cordeiro sendo imolado na Cruz; o redentor nos comprando de volta da morte e o Rei dos reis reinando no Trono.

Foi do agrado de Deus que Nele habitasse toda a plenitude. Logo, fora Dele nada existe, a não ser um vazio, um vácuo existencial.

Nele, Manjedoura, Cruz, Túmulo e Trono interagem em perfeita harmonia, sendo sustentados pela órbita do Seu Amor.

"Então vi, no meio do trono (...) um Cordeiro, como havendo sido morto..." Apocalipse 7:17.

Ele é Cordeiro e Leão. Humildade e Poder. O Cristo que agora está entronizado, continua sendo o Cordeiro de Deus que por nós foi imolado.

Não perca Seu Amor de vista. Nada foge de Seu escopo de atuação. Ele está em todos os lugares.

Todos os dias alguém é alcançado pelos efeitos da Manjedoura, da Cruz, do Túmulo e do Trono. Sua voz ainda ecoa de lá, pois Sua Presença é permanente.

sábado, julho 9

Para Além da Letra

                                             
                                             Por Bruno Jardim 

Um verso da Bíblia é um "universo".

O que está sendo dito ali, é infinitamente maior do que está escrito.

A Letra, põe um ponto final.

O Espírito, reticências...

O "Está Escrito", é insumo.

O "Eu Sou", é produto final.

O "Eu sou", contém o "Está Escrito".

Mas, o "Está Escrito", sozinho, não contém o "Eu sou".

A Letra, é meio.

O Verbo, é fim.

Portanto, o fim da Letra é Ser Verbo.

A Letra tem a potencialidade de matar, justamente por existir o risco dela não se tornar em Verbo, ou seja; ação/vida para o próximo.

GERÚNDIO


Por Bruno Jardim 

Uma vida sem gerúndio
É digna de repúdio
Ela não se define em um instante
Por isso exige ação constante
É caminhando no caminho
Olhando a paisagem 
Que se ganha coragem 
Para abandonar toda bagagem
É voando para além do ninho
Que se alcança longitude 
Não importa a altitude 
O importante é ter atitude
É mantendo o movimento 
Ainda que contra o vento
Que a cada dia me reinvento
E aproveito cada evento
É amando em tempo de dor 
Que se tempera a vida com sal
Pois amar é para amador
Não é para profissional
Nada é definitivo
Não se carte em seu distintivo
Sem querer ser taxativo...
É preciso continuar indo e vindo
Para se manter ativo.

sexta-feira, julho 1

Amor Quebrado




Por Bruno Jardim

Amor que se decora 
Não decola 
Simplesmente não cola.

Amor que se acostuma 
Não se apruma 
E não gera surpresa nenhuma.

Amor que se faz robotizado 
Não gera aprendizado 
Só cumpre com um horário marcado.

Amor que se compara 
Só repara 
Não se prepara e ainda separa.

Amor que se envaidece 
Parece que se engrandece 
Mas, no fundo só perece.

Amor que ostenta 
Só pensa em si 
Deixando a outra pessoa sedenta.

Amor que faz muito barulho 
Só alimenta o orgulho 
Deixa o fundo com muito entulho 
E machuca quando há mergulho.

Amor que fala alto 
Tem medo de descer do salto e sentir outro asfalto 
Talvez por medo de assalto.

Amor que não se lança 
Nada alcança 
Tão pouco confiança.

Amor que não tem cuidado 
Não é lapidado 
É questão de tempo para ser liquidado.

Amor que não espera 
Não tempera 
Come cru 
E morre de véspera.

Amor que brinca de adoleta 
Não valoriza o tempo da ampulheta 
Nem se dá conta... 
Que a lagarta já é borboleta. 

sábado, junho 25

O Encontro das Águas

Foto: o encontro do rio São Francisco com o Mar.

Por Bruno Jardim

O caminho natural das águas dos rios de toda a Terra é sempre o mar. É possível perceber que existe na natureza um senso de pertencimento, pois é ao mar e não à terra que as águas pertencem. Porém, nem todas as águas dos rios seguem para o mar. Algumas tem o objetivo de abastecer lagos, lençóis freáticos e até mesmo outros rios. Por definição a área onde o rio encontra o mar é chamada de Delta.

Existe um rio na Terra que não corre para o mar, nem para lagos e muitos menos para lençóis freáticos: o Rio Okavango é o único rio do planeta que desagua no Deserto.

As águas do rio Okavango, que vêm das terras altas de Angola, percorrem mais de mil quilômetros e são despejadas numa espécie de bacia, num grande recipiente formado pelas falhas geológicas de Gomare e Kunyere em Botsuana na África, formando o maior Delta do mundo: o Delta do Okavango.

As águas espalham-se como lagos pelas terras secas e sedentas do deserto de Kalahari dando origem a um ecossistema, um lugar de fertilidade e sobrevivência em meio à desolação do deserto. Animais de grande e pequeno porte, répteis, voadores e roedores reconhecem no alagado uma rica fonte de alimento.

Interessante, pois assim como as águas de toda a Terra sempre buscam o mar, as águas de Deus “saem para a região oriental, e descem ao deserto, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, as águas tornar-se-ão saudáveis. E toda a criatura vivente que passar por onde quer que entrarem estes rios viverá; e haverá muitíssimo peixe, porque lá chegarão estas águas, e serão saudáveis, e viverá tudo por onde quer que entrar este rio.” Ezequiel 47:8,9

Na simbologia bíblica, “mar” representa separação: “Mas os ímpios são como o mar agitado que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo.” Isaías 57:20

Por conta do salário do pecado que é a morte, os homens passaram a viver em um abismo escuro, completamente separados da fonte de Vida. Contudo, ainda podem ser resgatados pelo Espírito de Deus.

O mundo que foi alvo do amor de Deus, inclui todas as almas. Não existe monopólio da Graça e do Amor, sejam judeus, gregos ou gentios, o mar do mundo é composto por todo tipo de gente.

O Amor é a fonte de onde as águas de Deus jorram. A Graça é o Amor de Deus em operação. Portanto, a Graça é o rio de Deus por onde este Amor flui entre os homens.

Inspirado pela perfeição da natureza, o escritor diz: “Todos os rios vão para o mar, contudo o mar nunca se enche; ainda que sempre corram para lá, para lá voltam a correr” Eclesiastes 1:7.

Tendo em vista que os rios representam a Graça de Deus e que o mar aponta para os povos que por conta do pecado estão separados, podemos ler a passagem acima citada da seguinte forma:

“Toda Graça que recebemos vai para o próximo, contudo o próximo nunca se encherá; ainda que a Graça sempre corra para lá, para lá voltará a correr.”

A Graça foi feita para o outro. Ela não é ensimesmada, mas se volta para fora. Ela sacia nossa sede de existência, ao passo que atiça nossa sede por ciência.

Fomos chamados por Deus para sermos como o rio Okavango, as águas que temos recebido da fonte de Seu Amor é para serem desaguadas na vida desértica do outro.

Durante nossa jornada da vida, iremos nos deparar com pessoas que precisam exatamente do que temos recebido de Deus. É desta forma que o Amor de Deus transforma “o deserto em lagos de águas, e a terra seca em mananciais de água.Isaías 41:18

Ao chegar numa cidade samaritana chamada Sicar, Jesus sentou- se junto a um poço para descansar. De repente uma mulher samaritana se aproximou para tirar água. Isto era uma rotina daquela mulher, todos os dias ela buscava água naquele poço. Porém, aquele não era o único “poço” do qual ela buscava água, sua sede existencial fazia com que ela buscasse em múltiplos relacionamentos o preenchimento de um vazio. Ela já havia tido cinco maridos, e o homem com quem agora ela se relacionava não era seu marido.

Poços não saciam nossa sede existencial, no máximo nos dá um alívio, supre uma necessidade pontual, mas não nos preenche de propósito.

Sabendo disto, Jesus oferece para ela a água viva, que uma vez experimentada, sacia nossa sede existencial. Aquele poço se transformou em uma espécie de "área Delta", onde o rio de águas vivas se encontrou com o mar desértico daquela mulher.

Ao experimentar da água viva, imediatamente aquela mulher deixou de lado o seu cântaro e foi correndo à cidade espalhar entre os moradores a sua descoberta: “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo?” João 4:29

Até então ela nunca havia se sentido preenchida, os homens a usavam como objeto, mas agora ela se sentiu amada e saciada. Uma vez tendo sua sede de existência saciada, ela tem sua sede por ciência despertada e sai correndo movida pela seguinte pergunta: “Porventura não é este o Cristo?”

Agora, a mulher que outrora era deserto se transformou em rios de águas, a terra seca deu lugar aos mananciais de água. E assim como o destino de todo rio é passar adiante suas águas, assim ela o fez.

O sentido da vida é passar adiante o que temos recebido. O Amor que vem do Alto gera a força que nos move em direção ao outro. 

O Amor é um indo e vindo infinito...

Tudo Vem Dele, passa por mim, chega no outro, volta para Ele e vem Dele novamente. Nisto reside o círculo vicioso do amor.

O Amor gera aproximação, o que antes era distante, torna- se próximo. Quem era diferente, torna-se semelhante, pois "agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegaste perto. Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne” Efésios 2:13-14

Não desperdice as oportunidades que a vida nos oferece de amar. Transforme qualquer lugar em uma "área Delta", onde as águas dos rios da Graça irão se encontrar com o mar morto do seu próximo, a fim de o reviver e fazer dele um rio de águas vivas para levar vida à outros mares e desertos. 

TÁ LÁ UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO



Por Bruno Jardim

Estes últimos dias foram pesados, minha vontade era ficar enclausurado em uma redoma a fim de não me deparar com a realidade do mundo. Mas, a banca de jornal que todo dia eu passo em frente, me fazia questão de lembrar. O telejornal da hora do almoço, me fazia questão de lembrar. O Facebook, me fazia questão lembrar. Os grupos de whatsApp, me faziam questão de lembrar.
Eu não queria aceitar, mas não tem como negar este clima pesado no ar. Como não perceber MAIS UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO!
Confesso que não encontrava argumentos, o que falar? De uma coisa é certa, não posso me esquivar, esta realidade tenho que encarar.
Chegou a hora de subir ao púlpito para pregar. Coração despedaçado, voz embargada e a pergunta que não queria calar: QUEM É O MEU PRÓXIMO?
Me dei conta que nestes últimos dias estamos recapitulando a parábola popularmente conhecida como “A Parábola do Bom Samaritano”.
Lá vem o sacerdote e o levita, figuras importantes da religiosidade, pessoas acima da moral e santidade, porém, PASSAM DE LARGO e nem dão bola para o moribundo que ali estava caído.
Lá vem o samaritano, sujeito estranho, alvo de toda rivalidade e preconceito. Mas, que age de forma antagônica aos religiosos.
Os religiosos PASSARAM DE LARGO. O samaritano CHEGOU AO PÉ DO MORIBUNDO.
Os religiosos FINGIRAM QUE NÃO VIRAM E TOMARAM OUTRA DIREÇÃO. O samaritano VENDO- O, MOVEU- SE DE ÍNTIMA COMPAIXÃO.
Os religiosos SE AFASTARAM, pois precisavam usar o VINHO e AZEITE na oferta de libação no Templo. O samaritano SE APROXIMOU, pois precisava usar o VINHO E AZEITE para tratar as feridas daquele corpo estendido no chão.
Definitivamente o culto que prestamos ao Senhor deve ser traduzido em serviço prestado ao nosso próximo. A agenda do Reino é eclesiástica, ou seja, voltada para fora da igreja, nossa paróquia é o mundo!
No evento que precede a parábola, Jesus pergunta ao mestre da Lei: “O QUE DIZ AS ESCRITURAS? COMO LÊS?”
Uma clara provocação de caráter objetivo e subjetivo. Objetivamente falando, aquele mestre tirou nota 10! Mas, subjetivamente falando ele ainda tinha muito o que aprender.
Quem olha de longe, de forma superficial, pode até saber “O QUE ESTÁ ESCRITO”, mas não sabe “COMO LÊS” a vida.
Quem PASSA DE LARGO, olha o moribundo e diz:
- “Ela fez alguma coisa para merecer isso.” 

- “Viu a roupa que ela estava vestindo?”
- “Parece que tava drogada...”
- “16 anos, mas já tem filho.”

Mas, um olhar subjetivo requer atenção, não dá para faze- lo olhando superficialmente. Só quem se aproxima ao pé da vítima é que consegue enxergar as verdadeiras feridas. É preciso um segundo olhar, não um olhar de segundas intenções para julgar, mas sim para avaliar a real situação e fazer um diagnóstico com precisão.
Para tal, é preciso tirar as sandálias dos pés, pois o lugar onde pisamos é santo. A subjetividade do outro é o lugar santo! Se quisermos pisar nele, precisamos nos despir por inteiro, só assim teremos compaixão e nos livraremos da anestesia religiosa, que continua sendo o ópio do povo.
Não basta saber O QUE ESTÁ ESCRITO, temos que saber COMO LER.
A única maneira de lermos o outro é através das lentes do Amor. Amor que aproxima o distante e torna o diferente em semelhante.
Que rasga o véu do preconceito e da indiferença e nos faz um só corpo. Nos dando senso de pertencimento para sermos suscetíveis às mesmas dores, que nos faz ter o mesmo sentimento que houve Nele.


sábado, abril 9

Vislumbre


Por Bruno Jardim

Ao vislumbrar o todo
Percebi o quão sou tolo. 
Encontrei no que há de vir
As forças para ir.

Um lampejo da eternidade
Dissipou toda vaidade. 
O feito do seu efeito
Endireitou todo defeito.

As causas cessaram de me empurrar
Os propósitos começaram a me puxar.

Atraído pelo desconhecido
Prossegui em conhecer
Até encontrar o que havia perdido
Para agora, enfim renascer.

A Gravidade da Humildade





Por Bruno Jardim 


Cristo é Deus, mas não teve por usurpação ser igual a Deus. [1]

A soberba, que pode ser tratada como sendo a antítese da humildade, nos leva a ser, aquilo que não somos. Já a humildade, nos leva a abrir mão do que somos, por amor ao outro.

Quando nos esvaziamos de nós mesmos, a humildade passa a nos mover e nos levar a compreender que aquilo que somos em Cristo, nada mais é para que sejamos canais de serviço ao próximo.

Abrimos mão do que somos, mas sem perder a nossa identidade. Assim como Cristo fez, que ao tomar a forma de homem, continuou sendo Deus e tudo isso motivado pelo amor.

A humildade gera em nós um senso de dependência mútua, nos levando à sujeição.[2]

Quando se fala de sujeição, está se falando em se colocar aos cuidados uns dos outros, a fim de não se atentar para o que é seu, mas para o que é do outro.[3]

A humildade abre caminho para a dinâmica dos relacionamentos, por isso que cada um deve considerar o outro como sendo superior a si mesmo.[4]

Na Lei da Gravidade corpos maiores atraem corpos menores e os mantém presos uns aos outros. 

Da mesma forma, quando considero o outro como sendo superior a mim mesmo, ele ganha status de corpo maior. Logo, exerce sobre mim uma espécie de “força gravitacional do amor”, onde somos atraídos e movidos para servir uns aos outros.

É esta força que leva o homem a romper com o movimento de rotação do amor próprio e o faz migrar para o de translação do amor ao próximo. 

Só assim, a solidão dos nossos dias e noites ganhará a companhia das cores, frutos e sensações das estações da vida.

Sempre há mais vida do lado de fora. 

Corte o cordão umbilical da soberba e se deixar levar em humildade pela gravidade do outro.

[1] Filipenses 2:6
[2] Efésios 5:22
[3] Filipenses 2:4
[4] Filipenses 2:3

domingo, março 27

Não basta ressuscitar, tem que participar!


 Por Bruno Jardim

Quando chegaram ao túmulo para embalsamar o corpo de Jesus, constataram que a enorme pedra do sepulcro fora removida. Ao olharem lá para dentro, deram conta que ali, o corpo não estava.

Naquele momento uma série de dúvidas pairava a cabeça dos presentes, o que houve? Será que roubaram o corpo de Jesus?

Ao entrarem no sepulcro, puderam ver os lençóis esparramados no chão, todos bagunçados. Mas, de repente algo chamou atenção, a saber, o lenço que cobrira a cabeça de Jesus estava dobrado e colocado à parte de toda aquela cena.

Pedra removida, túmulo vazio e lençóis no chão não dizem nada, a evidência da ressurreição reside no lenço dobrado, colocado à parte de todo aquele cenário. Um sinal de ordem em meio ao caos.

Ressurreição é um meio para que a ordem seja instalada no caos.

Após a Ressurreição veio a Ascensão, e com a Ascensão o derramamento do Espírito Santo a fim de gerar em nós o empoderamento, que por sua vez nos leva à insurreição.

A Ressurreição é um meio para Insurreição.

A vida gerada por Ele, gera em nós um levantamento contra o status quo, somos o lenço dobrado em meio a um emaranhado de lençóis bagunçados.

Quem crê Nele, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre e saltarão para eternidade.

É obra do Espirito Dele o ressuscitar, mas é nossa responsabilidade se levantar, remover a pedra e tirar os lençóis.

Isso é viver em Espirito e em Verdade. O Espírito alimenta nossa subjetividade, gerando em nosso interior uma fonte inesgotável de água viva. Já a Verdade, nos leva para efetividade, uma vida de alteridade. As águas que fluem do nosso interior atingirão a eternidade, quando encontrar no outro o motivo da felicidade.

A causa do outro é a nossa causa! Pela Ressurreição e Insurreição, abandonamos a subjetividade e passamos a viver uma vida de objetividade, para além de si mesmo, a fim de lutar pela causa do Reino. Só assim haverá justiça, paz e alegria.

Repito: não basta ressuscitar, tem que participar!

Então, vá e não morreis mais....

sexta-feira, março 25

Travessias



Por Bruno Jardim

Páscoa, em hebraico: Pesach, que significa “Passagem” ou “Travessia”. Ela é celebrada no judaísmo e cristianismo. Ambas religiões possuem em comum a mesma essência, a saber, a comemoração de uma Travessia. Para os judeus é a travessia do Egito para Terra Prometida, por meio do Êxodo. Para os cristãos é a travessia da morte para vida, por meio de Cristo.

Antes de deixar o Egito, cada família hebreia teve que sacrificar um cordeiro. Da mesma forma, para deixarmos a morte, o Cordeiro de Deus que remove o pecado do mundo, teve que ser sacrificado. Portanto, toda travessia é patrocinada pelo Cordeiro, é este “Cordeiro” o elo entre as celebrações, a judaica e cristã.

Desde sempre somos desafiados a atravessar fronteiras. Naturalmente fomos instigados a migrar de um estilo de vida sedentário para um estilo nômade. Somos forasteiros e peregrinos neste mundo. Neste sentido, todos somos hebreus, pois etimologicamente a palavra “Hebreu” deriva do verbo “avar”, que em hebraico significa “ultrapassar”, “passar” ou “ir além”.

Somos um devir, há algo novo para surgir.

Nossa jornada de vida é patrocinada pelo Cordeiro. Ousar encarar esta travessia da vida sozinho, confiante no próprio braço, faz com que a aventura se torne uma desventura. Só é Bem Aventurado, quem se fia no Cordeiro imolado.

Por isso que a vida do Cordeiro nos foi entregue antes mesmo da fundação do mundo. Antes do “Haja Luz”, foi dito “Haja Cruz”. Antes de qualquer ação, Ele prepara a provisão. Para cada evento, Ele já preparou um alimento para o sustento.

Ficar parado com medo do destino, é um desatino que nos faz clandestino. O nosso alvo é alcançar aquilo para o qual o Cordeiro nos alcançou. Para tal, temos que abandonar o passado e avançar para o por vir.

Durante as travessias, não deixe que os meios tirem o foco do fim. Ainda que muitas vezes, tais meios se manifestem de forma épica, eles ainda não representam o destino final.

Tenha em vista que Moisés abriu o mar vermelho, mas se deparou com um deserto, onde ficou dando voltas por 40 anos. Já Josué, não precisou abrir mar nenhum, antes, atravessou a pé o rio Jordão, mas se deparou com a Terra Prometida.

Muitas vezes a pirotecnia não é tão eficaz quanto a simplicidade de um caminhar. Deus age de forma extraordinária, mas também de forma ordinária. (Não perca isto de vista!)

Faça da vida uma Páscoa contínua, prossiga como se ainda não houvesse alcançado nada. É caminhando que se faz o caminho, enquanto houver Sol ainda haverá motivo para caminhar.

Pelo Cordeiro imolado, temos a garantia de nadar...nadar e não morrer na beira da praia. Pois Nele, ela deixa de ser nosso alvo para ser o ponto de partida. Ali, Ele nos encontrou em naufrágio, nos tratou e agora nos lança rumo ao horizonte ilimitado de possibilidades.

A Linha do Equador que separa o que somos hoje, do que seremos amanhã, precisa ser atravessada.

Por isso Ele diz ao Seu povo que Marche!

Feliz Páscoa!

Aponte o Amor


Por Bruno Jardim
Quando se aponta para o Amor:
Ele dissipa a segregação e promove integração; 
Não importa o quanto pese, sintetiza a antítese;
Em nome da amizade, alinha a polaridade; 
Transforma a realidade e aparta o apartheid;
Desmonta todo afronte e nos leva adiante;
Aponta para um horizonte, onde não há muro, só ponte.

Justo e Justificador

Por Bruno Jardim

"A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." Mas, "como esta escrito: não há um justo, nem um sequer."

E agora José? Que oração Deus atende?

Tenha em vista que Cristo sofreu a penalidade do pecado em nosso lugar. Uma vez que o justo morreu pelo injusto, o injusto agora pode ser declarado justificado.

Por isso que oramos em Nome de Jesus.

Orar em Seu Nome não é um abracadabra. Antes, significa se fiar na justiça Dele. É depositar a Fé em Seu sacrifício, e confiar à Ele os cuidados pela nossa alma.

Só assim nos tornamos um só com Ele, de modo que somos recebidos como filhos na sala do Trono do Pai.

E..."qual o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente?"

Oração de um justo só tem efeito, por causa dos efeitos do Justo da Cruz...

[Tiago 15: 15 -16]
[Romanos 3:10]
[Lucas 11:11]

quinta-feira, fevereiro 25

O Evangelho dos Geeks


Por Bruno Jardim

"Once upon a time", homens "The Walking Dead", "Lost" em seus delitos e pecados por conta da "The Fall" no paraíso....
E “Breaking Bad", todos foram considerados inimigos de Deus, piores que assassinos. E agora, “How to get away with a murderer?”
Por “Love”, Ele desceu como "The Flash" e de uma forma "Supernatural", veio patrocinar nossa "Prision Break" do pecado.
E com o foco de uma "Arrow" foi obediente até a morte. Resistiu as "Pretty Little Liars" de "Lucifer" e não caiu em seu "Game of Thrones".
Ele nos livrou de nossas "Criminal Minds" e nos devolveu para "Homeland" do Seu "Reign".
Agora, estando Nele, somos "The Originals".
Fomos revestidos da Sua armadura, sem "Blindspot" e com poder "Limitless". Por isso não precisamos mais "Better Call Saul", deixe ele com sua armadura. Nossa confiança reside Naquele que nos sonda e nos conhece melhor que a "Grey's Anatomy".
Obrigado Senhor, Sua morte nos trouxe "Law & Order".
Éramos Seus inimigos e estávamos em sua "The Blacklist", mas agora somos chamados de "Friends".



sábado, fevereiro 20

Ciclo




Por Bruno Jardim

Os átomos orbitam um núcleo
A Terra orbita o Sol
O Sol orbita o centro da Via Láctea 
A Via Láctea se movimenta pelo Universo 
O Universo se movimenta em Deus
E Deus se movimenta em nós por meio de nossos átomos.

O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?


Por Bruno Jardim


"De fato, não há números, ou letras. Codificamos nossa existência pra fazê-la do tamanho humano, para torná-la compreensível. Criamos escalas para esquecer das escalas sem limites." Lucy no filme "Lucy".

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!" Paulo em Romanos 11:33.

Nossos dogmas, escalas, índices, indícios e tradições nos impede de viver e "anunciar todo o desígnio de Deus." Atos 20:27

Não estamos preparados para a Liberdade que há no Espírito do Senhor. Colocamos raias no oceano, o transformando em piscina e ainda mergulhamos de boia com medo de afundar.

O cativeiro do gueto é mais seguro que a liberdade da vida. Preferimos tratar o que é "em parte" como se já fosse o "todo". Nos encerramos em nossas teologias e doutrinas. Ficamos impressionados com um determinado aspecto da verdade a ponto de negligenciar todos os demais. A vida vira o "samba de uma nota só".

Pensamos que estamos "conhecendo e prosseguindo em conhecer ao SENHOR" Oseias 6:3, mas na verdade estamos andando em círculos.

A Palavra é maior do que a letra!

A letra é "apenas" um meio (codificação). O fim dela é ser verbo, trazer vida, caso contrário ela mata. Aliás, por qual motivo temos esta mania de transformar os meios em fim? O sentido da vida é passar adiante tudo aquilo que temos recebido. A vida é um meio para um fim maior.

Ainda bem que Cristo é tudo em todos (Colossenses 3:11), Ele prossegue onde paramos e transcende as escalas e letras humanas.

Aquele que nasceu de uma virgem, andou por cima do mar, transformou água em vinho e venceu a morte, não é refém das leis da biologia, física, química e da vida. Só Nele temos liberdade e sabemos o que fazer com ela. 

"Nele vivemos, nos movemos e existimos’ Atos 17:28.

Ele é o Caminho pelo qual nos movemos;
A Verdade na qual vivemos (verbo em carne);
E a vida na qual existimos.

Não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo agora, há tanta vida lá fora!



Por Bruno Jardim

O Mar é maior que o peixe, ele tem espaço de sobra para nadar;
O Céu é maior que o pássaro, ele tem espaço de sobra para voar;
O Espaço é maior que a estrela, ela tem espaço de sobra para brilhar;
A Vida é maior que o homem, ele tem espaço de sobra para amar;
O Reino é maior que a igreja, ela tem espaço de sobra para atuar.



quarta-feira, fevereiro 10

Eu fico com a pureza das respostas das crianças


Por Bruno Jardim

Seu ministério estava no ápice por conta de todo prodígio então realizado. Já era possível ouvir um burburinho oriundo da multidão: “será este o tão sonhado Messias?” É neste cenário que Jesus se aproxima de Jerusalém, para aquele episódio conhecido como a “Entrada Triunfal”.

Na expectativa daquele povo, a agenda do Messias era de cunho político. Alguém que viria promover uma rebelião, um levante contra Roma a fim de a depor do poder e assim restaurar aos judeus sua nacionalidade perdida.

Jesus quebra todo um paradigma fantasioso do povo ao adentrar em Jerusalém montando em um jumentinho emprestado: “Trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram as suas vestes, e fizeram-no assentar em cima.” (Mateus 21:7)

Interessante ressaltar que o fato de colocarem suas vestes sobre o jumento, atribuiu valor para aquele animalzinho. Da mesma forma, em Cristo somos chamados a atribuir valor/dignidade a quem aos olhos humanos nada tem.

Por meio de Seu sacrifício, Ele fez de nós bem mais do que podíamos ser, excedendo assim nosso valor. Entramos com o trapo de imundice dos nossos pecados e Ele com Suas vestes de justiça.

Tudo o que Deus faz conosco, tem como propósito para que em nós seja passado adiante para o outro. O mesmo olhar de misericórdia com o qual Ele nos enxerga, sem termos absolutamente nada para oferecer, é o mesmo com o qual devemos olhar o nosso próximo.

O que deveria nos movimentar em direção ao próximo é aquilo o que ele É e não o que ele TEM. Deve existir em cada um de nós a disposição de “revestir o outro com nossas vestes”, e assim atribuir significado para a vida alheia.

Aquele jumentinho era o cumprimento das profecias! “E achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre ele, como está escrito: Não temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta.” Porém, “os seus discípulos, não entenderam isto no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram.” (João 12:14-16)

Ao ordenar que os discípulos saíssem em busca de um jumentinho, eles não entenderam nada, aquilo não fazia sentido. O texto diz que a “ficha só caiu” quando Jesus foi glorificado, ou seja, na última etapa do processo da Redenção.

Existirão coisas que não compreenderemos de primeira, pois a obra ainda estará em andamento. Nossa visão é míope e efêmera. Já Deus enxergar o todo, por isso que Seus pensamentos e caminhos são maiores que os nossos. (Isaías 55:9)   

Quando estamos conectados com o que Deus diz, temos maior facilidade de perceber que nada acontece aleatoriamente, para tudo existe um propósito. Mas, quando cedemos ao vício de ler a vida a partir de nossos paradigmas fantasiosos, não conseguimos ver sentido e tão pouco conectar os fatos. É assim que o senso de sentido dá lugar a confusão.

A confusão é resultado da nossa desconexão de Deus. Nos desconectamos quando agimos contrário àquilo que Deus tem para nós, ou seja, a desconexão é fruto do pecado. Pecado tem a ver com errar o alvo. Deus nos chama para algo, mas optamos por seguir outro caminho.

Foi o que aconteceu no Jardim do Éden: a ordem era para não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas o homem agiu contrário àquilo que Deus havia ordenado e assim pecou. Ao pecar o homem foi desconectado da árvore da vida e se tornou refém da morte, que é a consequência do pecado.

Assim como D.Pedro I deu seu grito de independência às margens do Ipiranga, da mesma forma Adão e Eva o deram no Jardim do Éden. Só que neste caso, o que se ouviu não foi: "Independência ou morte!" Mas sim: "Independência É morte!"

Quando o homem se dá conta que pode viver por conta própria, confiando na própria dependência, ele morre.

Jesus se apresenta como “Eu sou a videira verdadeira...” (João 15:1). Videira significa árvore da vida! Portanto nosso pecado nos desconecta da árvore da vida.

Cada um de nós somos, por conta do pecado, ramos que saíram da videira e foram enxertados na árvore chamada Adão, a árvore do pecado. Uma vez conectados à árvore adâmica, os frutos que vamos gerar são frutos de pecado para morte.

Voltando para a entrada de Jerusalém, diz o texto que toda a multidão recebeu Jesus de forma épica! Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor.” (João 12:13)

Para surpresa de todos ao invés de Jesus se alegrar e entrar no clima, Ele não dá a mínima para aquele “oba – oba”.

Aqueles ramos de palmeiras que serviam de sinalizadores de boas-vindas, eram uma evidência da morte do homem. Pois uma vez estando nas mãos das pessoas, significava que eles não estavam mais na árvore. Uma vez desconectados da árvore, aqueles ramos não passavam de pedaços de morte.

Embora seja uma morte instantânea na essência, não o é na aparência. É instantânea pois de forma abrupta o ramo passa a não mais receber a seiva de vida da árvore, porém mesmo assim ele continua com a pigmentação de vida por alguns dias.

Assim somos nós, uma vez arrancados da árvore da vida, recebemos o salário do pecado que é a morte. Temos aparência de vida, mas estamos mortos! Nos tornamos em “ramos de palmeiras nas mãos dos homens”.

Estes ramos representam também nossa religiosidade, nossa performance que de alguma maneira acredita ser possível barganhar com Deus.

Uma vez desconectados, precisamos desesperadamente chamar a atenção Dele para tentar ser merecedor de alguma coisa. Vivemos assim em um caminho contraproducente ao da Graça, pois ela é um favor imerecido.

Quando se está conectado na árvore da vida o que se vê são os frutos, que surgem sem chamar atenção e sem fazer barulho. Por outro lado, quando estamos desconectados, o que se ouve é o barulho da força querendo produzir de formar artificial aquilo que só o Espírito é capaz de produzir de forma natural.

"Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda."   (João 15:16)

Como um ramo desconectado da árvore tem condições de dá frutos? Só é possível frutificar estando preso e enraizado à árvore da vida. Fora disso, o que resta é morte.

Um ramo fora da árvore tem sua aparência de vida com os dias contados, logo a pigmentação de vida cede lugar a sequidão da morte. Mas, um fruto oriundo do ramo conectado ao Pai, está destinado a permanecer para sempre. Ora, se cada árvore produz segundo a sua espécie, o que esperar dos frutos do amor, senão que durem para sempre?

Como falamos no início, a expectativa daquele povo era que Cristo entrasse em Jerusalém e dali fosse em direção ao palácio para tomar o poder. Mas, ao invés de ir para o palácio tomar o poder, Ele se dirige para o templo a fim de derrubar o poder religioso vigente na época.

“Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas, e lhes disse: "Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração’; mas vocês estão fazendo dela um ‘covil de ladrões’". (Mateus 21:12,13)

Jesus não só “quebra a firma”, mas aproveita e cura os cegos e os mancos que aproximaram-se Dele no templo. (Mateus 21:14)

“Mas quando os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei viram as coisas maravilhosas que Jesus fazia e as crianças gritando no templo: "Hosana ao Filho de Davi", ficaram indignados, e lhe perguntaram: "Não estás ouvindo o que estas crianças estão dizendo? " Respondeu Jesus: "Sim, vocês nunca leram: ‘dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor’?" (Mateus 21:15,16)

Repare que assim como a multidão gritava “Hosana”, ao chegar no templo Jesus é recebido por crianças que também gritavam: "Hosana ao Filho de Davi." 

Os ramos de palmeiras e os “Hosanas” da multidão não chamaram a atenção Dele, mas o "Hosana" singelo das crianças conseguiu tocar o Seu coração. O primeiro evidencia nossa independência de Deus, já o segundo a nossa dependência, pois uma criança é totalmente dependente, ela precisa dos cuidados do Pai. 

O “Hosana” das crianças era “sem ramos!” Era fruto da naturalidade e não da superficialidade!

Urge resgatarmos a simplicidade do evangelho, abandonar os rótulos e as performances que só visam chamar atenção e alimentar nosso ego.  A única coisa que há em nós e que chama atenção de Deus são nossos pecados, a ponto Dele se entregar por Amor, para nos salvar.

Quando estamos conectados Nele, o que há em nós é um senso de constante dependência. Por isso é que fico com “a pureza das respostas das crianças,” nelas sim “a vida é bonita e é bonita!”