sábado, setembro 26

Crer ou Ser? Eis a questão.


“Acreditar em algo e não vivê-lo é desonesto."

(Gandhi)


Gandhi nutria um amor pelo cristianismo, porém odiava os cristãos. Pois estes, segundo ele, não vivem segundo os ensinamentos de Cristo. Certa vez ele disse: “Eu seria cristão, sem dúvida, se os cristãos o fossem vinte quatro horas por dia.”


O que o atrapalhou a ser tornar cristão foram os próprios cristãos.


Infelizmente muitos ficam conformados com o estereótipo, se preocupam por demais em afirmar que crêem, mas negligenciam o ser, revelando assim uma completa incoerência entre o discurso e a ação.


Crer e ser, eis a solução!


Mais do que crer, Deus nos chama para Ser!


Ser a Sua própria mensagem no mundo. E isso implica em transgredir a superficialidade. E para tal, é necessário viver o que se crer até no mais profundo íntimo da alma. É ter a mensagem presente no próprio caráter e não somente na boca, até “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (II Coríntios 3:3).


È hora de jogar fora as roupas bonitas de fariseu que não conseguem esconder o fedor e a feiúra da hipocrisia e ficar nu. Isso mesmo, Deus quer o homem nu.


Pergunte a Isaías, ele sabe muito bem o que é isso, o próprio Deus ordenou:


“... vai, solta o cilício de teus lombos, e descalça os sapatos dos teus pés. E ele assim o fez, indo nu e descalço... assim como o meu servo Isaías andou três anos nu e descalço, por sinal e prodígio sobre o Egito e sobre a Etiópia, assim o rei da Assíria levará em cativeiro os presos do Egito, e os exilados da Etiópia, tanto moços como velhos, nus e descalços, e com as nádegas descobertas, para vergonha do Egito” (Isaías 20: 2 -4).


Isaías, o profeta, teve a missão de encarnar a mensagem. E com certeza não foi fácil andar três anos nu. Ele não era nenhum doído varrido, antes era pai de família, uma pessoa culta e respeitada entre os homens.


Mesmo que de primeira vista possa parecer algo desprovido de sentido, no fundo tudo o que Deus faz tem propósito. E naquela ocasião, ao ordenar para que o profeta andasse nu, Deus estava mostrando para aquele povo (Egípcios e os Etíopes) como eles iriam ficar debaixo do domínio dos Assírios.


Com isso percebemos que o profeta foi a mensagem e o mensageiro! Ele mesmo viveu a mensagem que estava pregando.


Às vezes vendemos uma imagem que esta longe da nossa realidade. Como as revistas fazem ao esconder as imperfeições do corpo de suas modelos, assim também o homem busca esconder seus defeitos, fazendo com que ele viva um verdadeiro “foto shop existencial”.


Chega de “fotoshopadas”, a Graça divina mira a imperfeição do homem, por mais paradoxal que isso possa ser, a perfeição de Deus encontra encaixe (pela Graça) na imperfeição do homem. E é justamente ali na nossa fraqueza que o Seu o poder se aperfeiçoa.


Para o verbo se fazer carne, esta tem que ficar nua. Pois a imagem de Deus só é refletida na vida daqueles que mostram sua própria imagem, tal qual ela é, sem retoques.


È hora de deixar de ser CRISTÃO para ser cristão.


Que possamos tão somente ser pequenos cristos. Dessa forma Cristo irá crescer a cada dia mais e mais em nós, seus cristinhos. E assim teremos condições de falar como Paulo em I Coríntios 11:1; “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”.

domingo, setembro 20

Quer dançar comigo?


Hoje estive pensando um pouco mais sobre o episódio em que Mical, de sua janela, desprezou e censurou a Davi enquanto este dançava à frente da Arca da Aliança, em seu cortejo de volta a Jerusalém.

Dissemos no artigo anterior que para Mical, o que lhe dava o direito de julgar seu marido daquela maneira era o senso de valor próprio e o senso de justiça própria.

O primeiro, porque Davi havia lhe atribuído um valor maior do que Saul, pai de Mical, pedira como dote.

E o segundo, porque Mical havia livrado a Davi de ser assassinado pelos servos de seu pai, dando-lhe fuga pela janela de seu quarto.

Foi daquela mesma janela que Mical o desprezou. Ela se achou no direito de fazê-lo.

Fiquei imaginando se essa história não poderia servir como analogia de Cristo e a Sua Igreja.

Como Mical, muitos cristãos se acham no direito de desprezar o que Deus está fazendo do lado de fora dos seus arraias religiosos.

Afinal de contas, Deus lhes atribuiu valor muito maior do que de fato mereciam. O preço pago por sua redenção foi o sangue de Jesus. No caso de Mical, seu dote custou a morte de duzentos filisteus. No caso da Igreja, seu dote custou a morte do Filho de Deus.

O que deveria nos envergonhar, tornou-se no motivo de nossa soberba. Achamo-nos mais importantes do que o resto do mundo.

Da janela de nosso edifício teológico, desprezamos o Deus que dança com o resto da criação. Este Deus não é monopólio de ninguém. Ele é Espírito, e o Espírito é livre para soprar e dançar onde quiser.

Além desse senso de valor próprio, os cristãos também têm nutrido um profundo senso de justiça própria.

Achamos que nossas boas obras foram capazes de nos tornar credores de Deus. Se antes, nós é que tínhamos uma dívida com Ele, agora, Ele é quem nos deve. Concluímos que nossas boas obras fazem com que o preço pago por nós seja devidamente compensado. É como se estivéssemos quites com Deus. Quanta pretensão!

Em lugar de gratidão, vaidade. Em lugar de humildade, presunção.

Até quando os cristãos desprezarão o Seu Deus? Até quando se incomodarão com o que Deus está fazendo para além dos muros eclesiásticos? Até quando censurarão e repudiarão o Deus dançarino?

Tornamo-nos como o irmão mais velho do filho pródigo. Recusamo-nos a participar da festa de arromba promovida pelo Pai por causa do filho que retornou. Só dançamos se a festa for nossa, se o baile for gospel!

O desprezo de Mical a Davi lhe rendeu esterilidade por toda a vida. Até que ponto a igreja cristã também não tem se tornado estéril em nossos dias por desprezar o que Deus está fazendo lá fora?

Só há uma maneira de reverter este quadro de esterilidade espiritual: descer de nossas torres eclesiásticas e aceitar o convite que Cristo nos faz: Quer dançar comigo?

Texto: Hermes C. Fernandes

segunda-feira, setembro 14

Ok, eu me rendo !


Quanta presunção do homem achar que pode Te aceitar
É como uma gota pensar que pode conter o mar

Pobre homem, se não fosse o beneplácito da Sua vontade
Ninguém conseguiria se quer ter saudade

É o Senhor que SE revela
E nos faz ter conhecimento que existe uma outra esfera
Uma esfera onde o amor próprio se torna ópio
Dando lugar para o amor ao próximo

A cada dia me revela Sua Graça
E me ensina a amar de graça
Sem me preocupar com a taça
Que esta destinada as traças

Porque resolveu me amar, se nada tenho para lhe dar?
Só lhe provoco dor e o Senhor insisti em me retribuir com amor

Como uma criança rendo – me a essa SUA perseverança
E vou no embalo da sua dança

Se sou mais que vencedor
É porque antes fui derrotado pelo Senhor.

Muito obrigado por me aceitar
Agora sei aonde chegar
Graças a TUA mão que direciona o meu caminhar.

Autor: Bruno Jardim

Podar


“Todo ramo em mim que não dá fruto ele o corta, e todo ramo que produz fruto ele o poda, para que produza mais fruto ainda.”

(João 15; 2)


O ato de podar vai muito além da estética, antes ele tem como objetivo limpar ou cortar os braços inúteis da videira ou árvore, a fim de regularizar a produção, aumentar e melhorar os frutos.


Existem galhos que recebem seiva e não frutificam, a estes Jesus diz que não podem permanecer. Pois a existência de muitos ramos faz com que a seiva tenha o seu caminho em direção ao fruto desviado, ocorrendo assim um desperdício, o que acaba comprometendo o fruto.


Em Cristo somos arrancados da árvore Adâmica e somos enxertados na videira verdadeira, onde passamos a dar fruto como uma vide. A seiva que corre pelos ramos desta árvore produz os frutos do Espírito que está em toda a bondade, justiça e verdade (Efésios 5:9).


Podemos dizer que cada ramo representa uma área de nossa vida. Quando olhamos para o ser de forma segmentada, podemos perceber que ele é formado por diversas áreas, uma mesma pessoa é um profissional em seu trabalho, é pai, filho, irmão, amigo, estudante e etc. Em fim, somos compostos de diversos ramos.


A questão é: Será que tais ramos estão recebendo a quantidade necessária de seiva para frutificar? Ou será que existem ramos em nossa vida que nem deveriam existir e que sua presença apenas faz com que a seiva seja desviada do seu objetivo principal que é gerar fruto?


Daí a necessidade de identificarmos costumes e rotinas que apenas sugam nossa seiva, atos que em longo prazo não vão produzir nada que presta. A estes ramos não tem meio termo, tem que ser cortados, precisam sofrer um verdadeiro massacre da serra elétrica.


Por outro lado existem ramos que são importantes, que possuem sua relevância, mas que podem estar sugando energia demais ou de menos. É uma questão de ter equilíbrio, tudo em extremo é danoso.


O trabalho, a família, os amigos, os estudos, todos eles são ramos que produzem frutos, porém precisam receber a quantidade certa de seiva para que o fruto final, que seria uma síntese de todos os ramos não seja prejudicado.


Estes ramos acima citados necessitam ser constantemente podados, justamente para que tenham seu crescimento regulado. O podar é uma arma eficiente para não transformarmos algo benéfico em algo maligno.


Infelizmente somos expert em transformar bênção em maldição, dada à má utilização destes ramos. È como aquela pessoa que estava desempregada, e recebe de Deus um emprego e agora esse mesmo emprego (ramo) se torna a atividade fim de sua vida, fazendo com que ela não busque mais a Deus e nem tenha tempo para a fámilia. Tal pessoa precisa ter esta área da vida podada (não arrancada), pois o emprego é algo relevante e importante, porém precisa receber uma dose certa da seiva.


È impossível obter resultados diferentes fazendo a mesma coisa, se quisermos mudar o fim, o meio precisa ser modificado.


Assim como tem ramos que recebem muita seiva, também existem aqueles que deveriam receber mais de nossa energia, mas que não estão tendo a devida atenção. Tudo é uma questão de administrar e otimizar melhor o tempo.


Nossas ações de hoje precisam nos encontrar amanhã. A seiva que aplicamos em determinado ramo produz fruto que por sua vez possui sementes que tem a potencialidade de se transformar em árvores onde irão gerar outros incontáveis ramos.


Uma mente conectada com a vontade do Pai nos capacita a identificar os ramos que precisam ser cortados e os que precisam ser podados. Assim não vamos cortar o que era para ser podado nem vice e versa.

quarta-feira, setembro 9

segunda-feira, setembro 7

Sobreviventes de Peniel, voltem a Betel ! - parte I


Quando somos encontrados por Deus

Amado por sua mãe, abençoado por seu pai, e odiado por seu irmão, Jacó fugiu para tentar salvar sua pele. Esaú, seu irmão gêmeo estava enfurecido depois de ter sido passado pra trás duas vezes.

Por haver saído apressadamente da casa de seus pais, não teve tempo de preparar sua bagagem. Talvez tenha saído só com a roupa do corpo e alguns poucos mantimentos preparados de última hora por sua mãe. Depois de caminhar por horas, Jacó chega a uma cidadezinha chamada Luz. Já era noite. Todos já estavam dormindo. Não querendo chamar a atenção, Jacó preferiu dormir a relento. Tomando uma pedra, improvisou um travesseiro (Gn.28:11).

Talvez não se desse conta de que naquele mesmo lugar seu avô Abraão havia tido seu segundo encontro de Deus. Foi lá que Abraão edificou seu primeiro altar (Gn.12:7-8).

Enquanto buscava uma posição confortável pra dormir, Jacó apagou. “E sonhou: Eis que uma escada estava posta na terra, cujo topo chegava ao céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela” (v.12).

Não há como ler esta passagem sem conectá-la às palavras de Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (Jo. 1:51).

A escada vista por Jacó representava o próprio Cristo, Seu mais importante Descendente, o Mediador entre o céu e a terra. Através d’Ele os anjos tiveram acesso ao Mundo dos homens, e através d’Ele os homens teriam acesso Àquele que estava no topo da escada: Deus.

“Por cima dela estava o Senhor, que lhe disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. Esta terra em que estás deitado, eu a darei a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás ao ocidente, ao oriente, ao norte e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (vv.13-14).

Até aquele momento, Jacó não passava de um fugitivo, sem eira nem beira. Seu objetivo era poupar sua vida das ameaças de seu enfurecido irmão, de quem roubara a bênção da primogenitura.

Parar em Luz era apenas mais um contratempo. Ele jamais imaginaria a experiência que teria com o Deus de seus antepassados naquele lugar.

Por mais longe que estivesse de casa, ele ainda pisava a terra destinada à sua descendência. O lugar onde estava havia sido prometido por Deus ao seu avô Abraão. Bem próximo daquele lugar Deus aparecera pela segunda vez ao patriarca hebreu, prometendo-lhe dar aquela terra por herança à sua descendência.

Aquela experiência lhe proporcionou uma visão quadridimensional da realidade, uma visão espacial e temporal. Através dela, Jacó se situou no tempo e no espaço.

Embora fugitivo, Deus o via como aquele que daria continuidade à saga de Abraão e de seu pai Isaque. A promessa de Deus não havia expirado.

Ele é convidado a olhar para trás e conferir a História, sentindo-se parte dela. E é desafiado a vislumbrar o futuro, no qual não apenas sua descendência seria abençoada, mas também serviria de bênção para todas as famílias da terra.

Sobreviventes de Peniel, voltem a Betel ! - parte II


Quem diria... uma família desajustada como a de Jacó servindo de canal de bênção para todas as famílias do mundo! Coisas de Deus...

Jacó sabia que tinha a simpatia da mãe, e que finalmente conquistara a simpatia do velho pai, mas também sabia que isso lhe custara a inimizade de seu irmão gêmeo Esaú. Restava saber de que lado Deus estava.

“Estou contigo”, disse o Deus de seus pais, “e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra. Não te deixarei até que tenha cumprido aquilo que te tenho dito” (v.15).

Ufa! Isso era tudo que ele precisava ouvir. Ele deve ter pensado: Esta foi por pouco!

Jacó pensando em se salvar, e Deus pensando em salvar o mundo. Isso te lembra alguma coisa?

Hora de acordar!

“Despertando Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não sabia” (v.16).

Não há nada pior do que perder a consciência da presença de Deus. Antes de Jacó chegar ali, Deus já estava. Ele não habita em templos feitos por mãos humanas. Ele não cabe dentro dos limites geográficos de uma região. Nem mesmo o Céu dos céus é capaz de contê-Lo. Ele também não é exclusividade de religião alguma. Ele não é católico, nem evangélico, nem mesmo cristão. Ele é Deus! E não há lugar no Universo onde Ele não esteja. O problema está em nossa consciência afetada por nosso estado pecaminoso.

É Sua presença que santifica tudo à Sua volta. Pergunte ao salmista se há algum lugar de onde possamos fugir da presença de Deus (Sl.139).

Assim que percebeu a presença de Deus naquele lugar, Jacó exclamou: “Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus” (v.17).

Casa de Deus não é onde Deus mora, mas onde percebemos Sua presença. Não importa se dentro de uma caverna, ou no cume do Everest. Onde quer que a consciência humana se desperte, ali é a Casa de Deus, o lugar de Sua manifestação. Todos os lugares deste vasto Universo são potencialmente Casa de Deus. Neil Armstrong a sentiu quando pisou em solo lunar. Naquele momento, a Lua se tornou Casa de Deus. Deus também está em Marte! Mas lá não é Sua casa, até que a consciência chegue àquele planeta, e perceba lá a presença do Criador.

Atravessar a porta dos céus é o mesmo que ser tocado pela transcendência, adquirindo a consciência de Sua presença. Do lado de lá, do topo da escada, encontramos a grande síntese espaço/temporal. Passado, presente e futuro; aqui, ali e acolá, tudo se integra em Deus. N’Ele não há ‘agora’ e ‘depois’, nem ‘aqui’ e ‘lá’. Tudo está perfeitamente integrado n’Ele.

Foi esta experiência de transcendência que marcou o início da caminhada de Jacó.

O texto diz que Jacó se levantou ainda de madrugada, antes do sol nascer, “tomou a pedra que tinha posto por travesseiro, erigiu-a em coluna e derramou azeite em cima dela. E chamou aquele lugar Betel...” (vv.18-19a).

Para que uma pedra sirva de travesseiro, ela tem que está deitada, isto é, na posição horizontal. Ainda que não tenha a mesma maciez e conforto, ela tem quer ter, no mínimo, o formato que lembre um travesseiro. Para que ela se torne uma coluna, terá que mudar de posição. Em vez de deitada, será posta em pé. Em vez de horizontal, será erguida na vertical. E é isso que acontece quando somos encontrados por Deus! Travesseiros se tornam colunas! Tudo o que nos traz algum tipo de conforto, oferecemos a Ele em louvor.

Aquele não era um dia como outro qualquer. Merecia um monumento, algo que expressasse a grandiosidade daquela experiência. Uma espécie de marco.

Enquanto os egípcios e outros povos levantavam obeliscos (chamados na Bíblia de “postes-ídolos”), os hebreus tinham o costume de levantar altares. Um obelisco é um monumento à vaidade humana. Um altar é um monumento à glória de Deus.

Talvez por conta da pressa em fugir de seu irmão, Jacó não tenha terminado ali sua obra. Em vez de um altar completo, deixou apenas uma coluna.

Vinte anos se passariam, até que Jacó ouvisse de Deus: “Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali, e faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão” (Gn.35:1).

Deus sabia que levantar um altar demandaria mais tempo do que erigir uma coluna. Por isso, Sua ordem a Jacó foi para que habitasse em Betel por algum tempo, até que o altar fosse concluído.

Embora à esta época Jacó já houvesse tido outra experiência com Deus em Peniel, a ponto de ter seu nome mudado, ele não poderia jamais se esquecer daquele primeiro encontro. Jamais poderia esquecer que quando fugia de seu irmão, Deus o encontrou e lhe fez promessas. Portanto, aquele marco teria que ser revisitado. Voltar a Betel equivaleria voltar ao primeiro amor.

Betel representa Deus saindo ao encontro de Jacó, enquanto Peniel representa Jacó saindo ao encontro de Deus. Quando Deus vem ao encontro do homem, há comunhão. Mas quando é o homem que sai ao encontro de Deus, há colisão. Ele sempre sai machucado! De Betel Jacó saiu tão inspirado, que foi capaz de remover sozinho uma pedra que tapava um poço, que precisava de pelo menos quatro homens para remover, a fim de saciar a sede das ovelhas. Mas de Peniel Jacó saiu mancando de uma perna. Toda vez que o homem se acha no direito de tomar qualquer iniciativa, chegando ao ponto de agendar um encontro com Deus, ele sai machucado, senão fisicamente, pelo menos emocionalmente. Tenho visto muitos casos... Gente que nunca mais se recuperou de algo que se apresentava como 'cura interior', mas que se revelou depois como uma chaga incurável.

Betel representa o homem acolhendo o dom de Deus, dado espontaneamente. Peniel representa o homem tentando arrancar algo de Deus à força. Betel representa a Graça, Peniel representa a Lei. Betel representa o reino entre nós, Peniel representa o reino tomado à força.

Se Peniel tivesse maior importância do que Betel na vida de Jacó, Deus lhe teria enviado de volta a Peniel para edificar um altar, não a Betel.

Talvez alguém diga: Mas não foi em Peniel que Jacó foi abençoado? Não! Em Peniel ele teve seu nome mudado. O lugar onde ele finalmente foi abençoado diretamente por Deus foi em Betel, quando para lá voltou e edificou o altar. Confira:

“Edificou ali um altar, e chamou àquele lugar El-Betel, porque ali Deus se lhe tinha manifestado, quando fugia de seu irmão (...) Deus lhe apareceu de novo, e o ABENÇOOU.. Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó, mas não te chamarás mais Jacó; Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel” (35:7,9-10).

O lugar da bênção foi o mesmo lugar onde lhe fora feita a promessa.

Deus está chamando Seu povo de volta a Betel!

Quando erigiu a coluna que mais tarde daria sustentação ao altar, Jacó derramou azeite sobre ela. Ao ungi-la, o patriarca indica claramente o que ela representava: Cristo, o Ungido. E não só isso: aquela coluna representava o Seu Corpo na Terra, isto é, a Igreja de Deus. Ou não isso que diz o apóstolo Paulo, ao referir-se à igreja do Deus vivo como “casa de Deus” e “coluna e esteio da verdade” (1 Tm.3:15)? A unção derramada sobre Cristo, o Cabeça, desceu até nós, Seu Corpo (confira 2 Co.1:21 e 1 Jo. 2:20,27).

É interessante ressaltar que Betel foi a primeira parada, tanto na peregrinação de Abraão, quanto na fuga de Jacó.

Abraão deixou ali um altar completo. Jacó deixou ali uma coluna para mais tarde edificar um altar.

Onde foi parar o altar deixado por Abraão? Provavelmente se desfez com o tempo. A erosão, as freqüentes tempestades de areia comuns no deserto, ou talvez seus inimigos, são alguns dos possíveis responsáveis pelo desaparecimento daquele altar construído às pressas. Se ele ainda estivesse lá, Jacó o saberia.

Se Jacó construísse às pressas um altar semelhante ao de Abraão, vinte anos depois talvez houvesse desaparecido.

Deus sabe que uma obra duradoura demanda tempo para ser concluída. Por isso, ordenou que Jacó retornasse a Betel para concluir seu altar. Porém, desta vez, não mais como um fugitivo, mas como um habitante de Betel.

Muitos pastores querem fazer suas igrejas crescerem rapidamente a qualquer custo. Em nome de suas estratégias mirabolantes, muita gente sai machucada. Para levantar uma coluna, basta algumas poucas horas, mas pra se levantar um altar duradouro, necessitamos tempo. E isso faremos como habitantes de Betel, e não como fugitivos.

Tenho a impressão de que a igreja contemporânea tomou o caminho inverso. Em vez de transformar travesseiros em altares, tem transformado altares em travesseiros. Tornamo-nos a Bela Adormecida do conto de fadas, à espera do Príncipe Encantado para despertá-la. Somos o Gulliver da fábula, que por não saber a força que tem, deixa-se dominar pelos habitantes da ilha, que o prende com cordas que mais parecem linha de carretel.

Hora de acordar, igreja!

O que tem sido pregado em muitos púlpitos parecem canções de ninar, que só produzem sonolência espiritual nos fiéis. A igreja de Cristo precisa acordar de sua letargia e alienação, e engajar-se na transformação do Mundo.

Ora, se ela é coluna, logo concluímos que ela é apenas o ponto de partida de algo ainda maior.

A coluna está destina a ser transformada em altar. E o altar é pontapé inicial para a edificação do Templo.

Este Templo cresce de dentro para fora. Paulo diz que em Cristo, “todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor” (Ef.2:21).

Em Sua primeira passagem por este Mundo, Jesus lançou-Se como Pedra Fundamental, ou ainda, como coluna na construção do Templo de Deus. Dez dias depois de Sua ascensão ao céu, Ele enviou o Seu Espírito para que habitasse conosco para sempre, e através de nós edificasse o Seu Templo definitivo na Terra.

Ele não tem pressa. Ele está reunindo pedra por pedra, tijolo por tijolo, e assim, erigindo um altar que jamais será desfeito pela erosão do pecado.

A igreja é, por assim dizer, o gérmen da Nova Humanidade.

Este Templo que Deus está a construir é a civilização do Reino.

O problema é que a igreja se acha um fim e si mesma, e por isso, se fecha, se enclausura, vive uma espiritualidade ensimesmada.

Uma coisa é Jacó foragido, com pressa. Outra coisa é Jacó recebendo de Deus a ordem para habitar em Betel.

Betel também representa o mundo ao nosso redor. Não é um lugar sagrado em si mesmo. Mas um lugar que se sacraliza aos olhos daqueles que têm sua consciência iluminada pela presença de Deus.

Nosso lugar de encontro com Deus é o mundo. É nele que temos que construir nossos altares.

Acredito piamente que Deus está nos mandando de volta ao Mundo. Mas dessa vez, não como foragidos, mas como habitantes permanentes.

Geralmente se focaliza apenas quando Jesus diz: “Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou” (Jo.17:16). Mas se esquece que logo em seguida, Ele também diz: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v.18).

Desde que Deus colocou os pés neste chão, o Mundo passou a ser terra santa. Ele é o lugar de encontro entre Deus e os homens.

Lembre-se que a escada vista por Jacó era colocada na terra. Seus pés estão fincados no chão, e não no ar.

Lemos em Gênesis 32:1-2:

“Jacó também seguiu o seu caminho, e os anjos de Deus o encontraram. Quando Jacó os viu, disse: Este é o acampamento de Deus. E chamou àquele lugar Maanaim.”

A Terra inteira é o Maanaim de Deus. Deus a escolheu para nela armar Sua tenda. Por isso, é quando seguimos nosso caminho no chão desta vida, que somos encontrados pelos anjos de Deus.

Era como se Jacó pensasse: Bem, se lá em Betel é a casa de Deus, aqui só pode ser Seu acampamento. Ele mora lá, mas acampa aqui.

O que ele talvez não soubesse é que Deus habita e acampa em todo lugar. Toda a Terra está cheia de Sua glória.

Deixemos que os anjos de Deus nos encontrem enquanto trilhamos os caminhos da vida. Deixemos que os sinais nos sigam. Deixemos que as bênçãos nos persigam e nos alcancem, enquanto caminhamos pelas sendas desta vida.

Não precisamos nos enclausurar em retiros, em montes, em cultos intermináveis, em vigílias para extrair algo de Deus. Precisamos nos voltar para fora de nós mesmos, servindo a Deus, enquanto servimos àqueles que encontramos no caminho.

Que sejamos conhecidos, não como aqueles que prevaleceram contra Deus, mas que foram vencidos por Seu amor, e que, agora, difundem Seu suave perfume por onde andam.

Christus Victor!

Via: [ Hermes C. Fernandes ]

domingo, setembro 6

70 x 7

Certo beduíno estava dentro da sua tenda ao sol da Palestina quando entrou correndo um garoto adolescente, que se refugiou atrás dele, chorando e grunhindo.

Logo em seguida chegou uma turba alvoroçada, empunhando cacetes e facas. Abriram à portinha da tenda e disseram ao beduíno: "Dá-nos este menino porque ele é um assassino".


O beduíno respondeu: "Mas há uma lei entre nós que diz que quando um assassino se refugia numa tenda e o dono da tenda lhe der abrigo e guarida, ele está absolvido. Eu me compadeci deste garoto, quero perdoar-lhe". E o garoto tremia...


Mas eles disseram: "Você quer perdoá-lo porque não sabe o que ele fez e nem a quem matou". O beduíno falou: "Não importa, eu quero perdoá-lo". Os homens então afirmaram: "Ele matou seu filho. Vá ver o corpo dele sangrando na areia ali fora".


O beduíno caiu num profundo silêncio, depois, enxugando as lágrimas, disse: "Então eu vou criá-lo como se fosse o meu filho a quem ele matou".


Este é o padrão do perdão divino para nós. Alguém consegue ( por conta própria ) colocar isso em prática ?

sábado, setembro 5

Espelho, espelho meu: Que tipo de homem sou eu?

Afinal, o que é ser homem?

Desde 1990, no Brasil, existe uma discussão acerca da crise de masculinidade, a exemplo do que aconteceu em outros países do mundo, em décadas anteriores. Nesse contexto, variadas questões tem sido suscitadas por sociólogos, antropólogos e psicólogos, tais como: qual o perfil do homem moderno? Que papel ele deve desempenhar na família? Qual a sua relevância na sociedade?

Na verdade, as últimas décadas do século XX não foram fáceis para os homens. Com o avanço do feminismo, a partir da década de 1960, somado as profundas transformações globais, sobretudo no campo econômico-social, o “poder” dos homens diminuiu consideravelmente. Mulheres do século XXI podem, simplesmente, optar em não ter um em casa afinal, elas estudam, trabalham e produzem tanto ou mais do que eles.

Por outro lado e, diferentemente do que alguns possam pensar, não foram às conquistas femininas que desencadearam a dita crise de identidade, mas, indubitavelmente, o que a tornou visível. Para Nolasco, esse problema está associado a valores sociais que transcendem, e em muito, a dimensão do indivíduo. Por isso, o “homem” dos nossos dias está em busca de se diferenciar do padrão de masculinidade que foi socialmente para ele estabelecido.

De fato, o estereótipo do machão, baseado no trinômio força, poder e virilidade, está em declínio absoluto. Aquele ser insensível, vingativo, arrogante, cínico, exibicionista, voltado para a ação em detrimento dos sentimentos e incapaz de controlar seus desejos, está completamente desajustado às demandas modernas.

Segundo Goldenberg, o modelo do “homem” machão está mesmo em crise, mas poderá sobreviver ainda que coexistindo com outras formas de se ser ”homem”. Foi nesse ponto que minha curiosidade se aguçou e me veio o desejo de conhecer que outras formas são essas. Fui pesquisar...

Para quem não está satisfeito em ser um “homem” do tipo machão, poderá escolher ser um metrossexual. Trata-se de um empreendedor que vive nas grandes cidades e se preocupa com seu aspecto visual. Segundo os especialistas, o metrossexual vai assiduamente ao cabeleireiro, onde trata o cabelo com banho de óleo, xampus especiais e chapinhas, faz bronzeamento artificial, freqüenta clínicas de embelezamento, para hidratamento da pele e depila-se. Malhação, através de academias de ginástica, também é outro item indispensável.

Se este tipo de “homem” não satisfaz, pode-se ainda tentar ser um übersexual. De acordo com as últimas pesquisas, são estes que hoje fazem mais sucesso entre as “mulheres”. O Urban Dictionary, que reúne expressões e termos coloquiais, afirma que "über" significa "acima" em alemão, e seu equivalente em inglês seria "super". Contudo, o übersexual não é uma máquina de sexo. Ele na verdade está mais preocupado em resgatar aquela masculinidade que foi perdida, mas sem se voltar ao primitivismo dos machões.

O übersexual é aquele que confia em si mesmo sem se tornar detestável. Ele possui um aspecto masculino e um estilo próprio, pois está determinado a alcançar altos níveis de qualidade em sua vida. Esse “homem do futuro” é apaixonado por seus interesses e tem seus sentidos abertos aos estímulos que recebe. Entretanto, ele não representa uma mudança drástica em relação ao metrossexual, uma vez que também se preocupa com a imagem pessoal e, por isso, vai às compras, sem, todavia, ser narcisista e egocêntrico.

Quero parar aqui para lhe fazer, caso você seja homem, uma proposição – pergunte-se: espelho, espelho meu, que tipo de homem sou eu? Um machão, antiquado e primitivo? Um metrossexual, preocupado com a aparência e a performance? Ou, quem sabe, um übersexual, sensível, mas sem descuidar do corpão?

Fugindo do espírito crítico sobre qualquer das opções que os homens desejem fazer para as suas próprias vidas, quero, todavia, apresentar-lhe mais uma alternativa. Adianto, entretanto, que ela não está na moda, e vai requerer padrões bem diferentes dos acima expostos. Todavia, para mim, é a única que pode nos levar a experimentar, na dimensão correta, aquilo que Deus planejou para a vida dos homens na terra.

“a fim de que o HOMEM DE DEUS seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." 1ª. Tm. 3:17.

Permita-me mostrar-lhe algumas das características mais marcantes deste tipo de homem. Homens de Deus falam pouco, não pelo fato de não ter o que dizer, mas porque desenvolveram o precioso dom de saber ouvir. Quem aprende sobre o silêncio já nem precisa de palavras para se fazer entender, ou mesmo para se expressar.

Homens de Deus são mansos, mesmo indo contra a natureza própria dos machos, que é ser vigoroso. Ao invés de buscar delimitar espaços, firmar posições ou estabelecer valores, aquietam-se e esperam pacientemente a ação de Deus. Essa dependência, vamos e convenhamos, é desconcertante. Levá-los a ira ou tirá-los do sério é algo impossível. Eles são capazes de ser ofendidos sem revidar. Em discussões, buscam o apaziguamento e em momentos de tensão, se mantém serenos.

Mesmo que não pareça a primeira vista, Homens de Deus são contagiantes. Eles brilham por onde passam. Facilmente você reconhecerá um quando o vir, não por causa de sua roupa extravagante, ou de seu corte de cabelo-última-moda. Não será por causa de seu físico avantajado, e nem mesmo pelo seu bronze de verão. Na verdade, é a sua discrição que acaba por acentuá-los além do banal e corriqueiro. Eles destilam compaixão, possuem olhos cheios de esperança, são dotados de gestos de misericórdia e tem o coração cheio de amor e gratidão.

Tenho observado que os homens de Deus fazem coisas inacreditáveis e, não raras vezes, até absurdas. Dificilmente você os verá defendendo suas convicções pessoais. Eles abrem mão de ganhar uma discussão com vistas a poder ganhar a pessoa. Creiam-me, homens de Deus são especialistas em ceder os seus direitos a outros e, mesmo que isto pareça surpreendente, dizem viver melhor assim.

Chama-me a atenção o fato de que os Homens de Deus estão sempre em busca de reconhecer os seus erros. Eles esquadrinham e averiguam os seus próprios caminhos. Por isso, não se surpreenda se eles lhe procurarem para lhe pedir perdão numa questão em que você jamais teve qualquer razão. É que os homens de Deus são humildes e, para eles, viver em paz com as pessoas e com sua própria consciência é mais importante do que o tolo prazer que há nas pseudo-vitórias em mesquinhas demandas. Ademais, eles entendem que a responsabilidade pelo restabelecimento de vínculos afetivos está sempre sobre aqueles que são mais maduros ou estão em posição de maior autoridade.

Mesmo contra toda lógica humana, homens de Deus buscam aprender o valor que há na perda, no abandono e na desistência. Isto acontece porque eles constataram que este é o caminho mais curto para uma vida simples, cheia de graça e paz. Por isso, da dor, tiram força; das tragédias, ensinamentos; dos problemas, experiências. Homens de Deus são frágeis como vasos de barro, moldáveis nas mãos do oleiro. Eles são dóceis como crianças e leves como a brisa de fim de tarde.

Num mundo sem heróis, sem referências, sem moral, ou ética, homens de Deus são verdadeiros oásis no deserto. Você certamente discernirá Jesus olhando para eles. Por isso, não se surpreenda se desejar imitá-los, pois eles imitam ao Senhor e são, sem dúvida alguma, Sua expressão mais fiel entre os humanos caídos.

Homens de Deus estão longe de ser politicamente corretos, pois, para eles, o que interessa é a verdade. Sim, eu sei, a verdade tem um custo, é bem verdade, mas, para eles, não custa nada falar a verdade. Ela é como um perfume bom, que inebria todo ambiente; é como o sol ao meio dia ou chama que não se extingue. Homens de Deus optam por falar a verdade porque entenderam que a mentira é pecado próprio apenas quando se é criança.

Homens de Deus são apropriados para as mulheres, pois, de fato, elas estão fartas dos machos. Estes, tragicamente, tornaram-se seres insensíveis, insípidos e até insalubres. Machos tendem a se tornar machões, e os machões, invariavelmente, não passam de crianças. Mulheres gostam de crianças, mas, em se tratando de conjugalidade, preferem homens. Também tenho dúvidas se os metrossexuais ou os übersexuais poderão satisfazê-las. Minha percepção é que eles fazem muito sucesso com adolescentes, mas, em se tratando de mulheres de verdade, acho pouco provável.

Homens de Deus são sacerdotes do lar e não apenas seus provedores ou financistas. Eles olham para a esposa como a parte mais nobre, mais digna, e que precisa de mais atenção. Mulheres casadas com homens de Deus verão que eles vão se aprimorando a cada ano, pois quanto mais velhos ficam, melhores se tornam, e isso acontece porque, com o tempo, mostram-se mais sensíveis e atentos às suas necessidades.

Homens de Deus são incapazes de tratar uma mulher com rispidez ou desonrá-la em qualquer circunstância, seja por uma crítica mordaz, ou mesmo em relações extra-conjugais. Digo com certeza: mulheres casadas com homens de Deus são as mais felizes e seguras que existem. Elas não temem os cabelos brancos, rugas ou celulites. E Sabe por quê? Compreenderam que são amadas por aquilo que são, e não por aquilo que os cosméticos ou a plástica as faz parecer ser. Descobriram que o que prende o coração de um homem de Deus é o conteúdo, e não o invólucro.

Homens de Deus são assim porque eles são cheios de Deus! São construtores de altares, nos quais derramam a própria vida para alegrar aquEle que dá sentido e significado ao fato deles existirem. São habitantes de tendas, e por isso podem mudar facilmente de um lugar para outro, conforme o sopro suave e bendito do Espírito Santo.

Ah, que falta faz, nessa sociedade que vivemos, homens de Deus. Confesso que gostaria de vê-los aos milhares, sobretudo nestes dias onde os "machos" apenas se satisfazem em seguir scripts. Com mais de quarenta anos, creio já ter me tornado um homem. Minha oração, entretanto, é que o Espírito Santo vá produzindo em mim, mesmo que lentamente, princípios e valores que me permitam, um dia, chegar a ser um homem de Deus.

Sola Gratia!

Carlos Moreira [via A Nova Cristandade]

O evangelho dos Teletubbies


Todos conhecem um programa importado da Inglaterra, que, ao menos por lá, faz o maior sucesso entre a criançada: é Teletubbies, onde quatro personagens – que eu diria que são no mínimo esquisitos – levam a vida brincando em um cenário lisérgico, onde um sol com um rosto de criança sempre os ilumina.

No mundo dos Teletubbies, tudo é festa, tudo é alegre, tudo é descontração. Sempre riem, sempre brincam, sempre se divertem. Não tem nenhuma outra responsabilidade do que esta: não ter absolutamente nenhuma responsabilidade.

Como é boa a vida dos Teletubbies! Não tem canseira, não tem preocupação, não pensam em outra coisa que não os seus próprios prazeres… Você já ouviu isso antes?

Tiago nos alerta para não sermos pessoas que vivem um Evangelho dos Teletubbies. Ele diz: Cobiçais, e nada tendes; matais e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus (Tg 3.2-4).

O Evangelho dos Teletubbies é o prazer humano como fim último de nossa existência. O Evangelho dos Teletubbies não se importa em amar ao próximo como a nós mesmos e amar a Deus sobre todas as coisas – afinal, esta é a maior de todas as renúncias – mas se importa em arrancar de Deus tudo aquilo que Ele puder dar. O Evangelho dos Teletubbies prima pela não-observância dos mandamentos de Deus, mas observa os “direitos inexoráveis do homem”. Assim, quando alguém, de forma deliberada e consciente, transgride aquilo que a Palavra normatiza, ele está abandonando o Evangelho de Cristo e abraçando o Evangelho dos Teletubbies. O mesmo acontece quando alguém deixa de amar a Deus, ou deixa de amar ao próximo, ou ainda, deixa de amar a obra de Deus, negando-se, inclusive, a contribuir (afinal, diria um teletubbie, se Deus é dono do ouro e da prata, Ele que se arranje!).

Somos desafiados a rejeitar o Evangelho dos Teletubbies e vivenciar única e exclusivamente o Evangelho de Cristo, sendo Seus imitadores. Abandonemos, portanto, tudo aquilo que não pertence ao SENHOR, abraçando Sua cruz, crucificando, inclusive, nossa carne.

Texto: Rev. Digão
Via: Blog do Digão