sexta-feira, outubro 30

Como sair impune de um ato culposo.


Por Bruno Jardim

Recentemente terminei de assistir a 1° temporada de “How to Get Away with Murder”. Trata-se de uma série criada por Peter Nowalk e tem como trama a vida pessoal e profissional da personagem Annalise Keating (Viola Davis), professora de Direito Penal da fictícia Universidade de Middleton, na Filadélfia, uma das mais prestigiadas escolas de Advocacia na América. Além de professora, Annalise também atua como advogada de defesa e seleciona um grupo dos seus melhores alunos em sua turma da universidade para trabalhar em seu escritório.

Apesar de cenas muito fortes, que certamente feririam os escrúpulos de muitas pessoas, a série é sensacional e chama atenção quanto a atuação de Annalise nos tribunais, a forma como ela protege seus clientes, mesmo sabendo que na maioria dos casos eles são culpados, ainda assim ela consegue apresentar provas e argumentos que os levam a absolvição e assim ela consegue sair vitoriosa nos julgamentos.

Mesmo que os fatos revelem o “actus réus” e a “mens rea”, ou seja, o ato culposo e a mente culpada do réu com intenção de cometer o crime, “How to get away with murder,” nos revela o passo a passo para declarar inocente quem tinha tudo para ser condenado.  

Traduzindo o título de série para o português temos: “Como sair impune de um assassinato.” Trazendo este conceito para a nossa vida com Deus, eu faço a seguinte pergunta: “Como sair impune do pecado?”

A Justiça é um dos mais importantes atributos de Deus. Ser justo é inerente à Sua própria natureza. Como tal, compete a Ele ser o Juiz de todas as Suas criaturas. Seu julgamento, portanto, deve ser baseado na verdade e equidade.

Como reto Juiz, Ele deve justificar o inocente, e condenar o culpado. Não faz sentido imaginar o Justo Juiz absolvendo o culpado e condenando o inocente, isso está mais para Pilatos, que soltou Barrabás enquanto condenou Jesus.

Tal princípio é tão inflexível que originou o maior dilema enfrentado por Deus. A questão é: Como poderia Deus, o Justo Juiz, declarar justo, o pecador? Em outras palavras: “How to Get Away with Sin”, ou seja, “Como sair impune do pecado”, já que seu salário é a morte?  

Diagnóstico

Como Justo Juiz, Deus precisa ter Sua justiça saciada e ao sentar-Se para julgar a humanidade, não tem outra alternativa, senão declarar que todos são igualmente culpados perante a Sua Lei. Contra fatos, não há argumentos, todos pecaram!

“Que é o homem, para que seja puro, ou o que nasce da mulher para que seja justo? Se Deus não confia nem nos seus santos, se nem os céus são puros aos seus olhos, quanto menos o homem abominável e corrupto que bebe a iniquidade como a água?” Jó 15:14-16.

Este é o nosso diagnóstico diante de Deus, todos são igualmente pecadores. Entre os homens, há aqueles cuja justiça se sobressai, e a estes a Bíblia chama de justos. Noé, Jó e alguns poucos foram assim chamados. Porém, eles eram considerados justos quando comparados aos demais homens.

Diante disto, resta-nos o desespero, pois jamais poderemos nos relacionar com Deus, pois nossos pecados nos afastam da Santidade Dele. Então, qual seria o argumento de Deus para nos livrar da condenação do pecado? Como sermos aceitos de volta aos braços Dele?

Pego em Flagrante

Diante de Deus somos pegos em flagrantes, nossos atos constituem em infração às leis estabelecidas por Ele, logo, são atos considerados puníveis pela Justiça Absoluta de Deus. Nossas transgressões nos tornam merecedores da condenação, “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” Romanos 3:23. 

Esta declaração aponta para a universalidade do pecado já que “não há um justo, nenhum sequer; não há quem entenda, não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis...” Romanos 3:10-12ª

Fomos criados para o Louvor da Sua Glória, mas ao pecar erramos o alvo. O homem optou por viver uma vida centrada em si mesmo. O pecado nos colocou em dívida com Deus, e a única forma de saudá-la era devolvendo a Ele o que dEle recebemos: a Vida.

Todo pecado é contra Deus. Ainda que o pecado cause danos a outros, ou ao próprio indivíduo que o cometeu, o pecado é acima de tudo, uma ofensa dirigida a Deus. Não existe “pecadinho” e “pecadão." 

É como jogar pedras em um lago, se jogarmos uma pedra pequena, pouca água será espalhada, se jogarmos uma pedra grande, um volume maior de água será espalhado. No fim, ambas as pedras vão para o fundo. Assim é com o pecado, as proporções e consequências variam, mas o fim é o mesmo, a saber, desagradar a Deus.

Se o pecado é contra Deus, só Ele pode nos justificar. De nada adianta os homens nos considerarem justos, se Deus não nos considerar assim.

Justificação

Sabe qual foi a resposta para o maior dilema enfrentado por Deus? A Cruz de Cristo!

Nela o cálice da justa ira de Deus foi sorvido por inteiro, ao mesmo tempo em que Sua misericórdia também foi saciada. Por meio da Cruz somos justificados, e aceitos por Deus em Seu convívio.

A origem da nossa justificação é Deus.

Ser declarado justo é diferente de ser declarado inocente.  A Lei de Deus serviu para evidenciar que somos merecedores da condenação. Jamais fomos declarados inocentes. Se fôssemos inocentes, logo, a Cruz não teria razão de ser. Fomos declarados culpados diante de Deus.

Cristo sofreu a penalidade do pecado em nosso lugar. Uma vez que o justo morreu pelo injusto, o injusto agora pode ser declarado “justificado.” 

“Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem nos justifica.” Romanos 8:33

Não fomos justificados por méritos próprios, mas “justificados gratuitamente por sua graça...” Romanos 3:24. Se tivéssemos que receber o que, de fato, merecemos, jamais seríamos justificados. E pensar que ainda existem pessoas que se acham no direito de reivindicar de Deus alguma coisa, de pedir restituição, querer de volta o que é “meu”. Se Ele resolvesse nos devolver o que é nosso, Ele iria devolver nosso delitos e pecados. Mas, ainda bem que Ele já nos deu a vida enquanto estávamos mortos em nossos delitos e pecados.

Ele não nos justificou por possuirmos qualquer qualidade, ou por causa de qualquer outra coisa ligada a nós mesmos. As razões que O levaram a declarar-nos justos estão Nele, segundo o beneplácito de sua vontade.

Diante dos fatos, “concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.” Romanos 3:28.

Muitos judeus na época do apóstolo Paulo insistiam em dizer que o homem só seria considerado justo, se cumprisse as demandas da Lei. Tal afirmação era um “tiro no pé”, pois a Lei foi dada justamente para evidenciar a inabilidade do homem em cumpri-la e não para tornar o homem justo. É por meio da Lei, que temos ciência de que somos pecadores e não justos.

Por isso que devemos depositar nossa fé no sacrifício feito por Cristo, e confiar a Ele os cuidados pela nossa alma. Viver pela fé é negar a si mesmo, para confiar tão somente na Justiça de Cristo.

“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que Nele fôssemos feitos Justiça de Deus.”  2 Coríntios 5:21

Na Cruz, Ele morreu por nós e em nosso lugar. Nos imputou Sua justiça e vestiu-Se com os nossos trapos de imundície. Ele se fez pecado, embora jamais tenha cometido qualquer pecado, para que nós fôssemos considerados justos perante Deus.

Uma vez justificados por causa Dele, mediante Seu sangue, Graça e Fé, somos lançados para as boas obras.

As obras são a evidência da justificação. Depois de declarado justo por Deus, o homem tem de manifestar está justiça perante os homens, e isto ocorre através de suas obras. Não somos justificados pelas boas obras, mas sim para as mesmas, trata- se de um efeito e não causa, até porque a fé sem obras é morta.

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