sábado, março 7

Índices, Indícios e Princípios

 

Por Bruno Jardim 

Assim como um Índice ajuda a ordenar de maneira metódica os assuntos tratados num livro e as respectivas páginas, da mesma forma temos a tendência de ordenar nossa existência em índices. Fazemos isto com o intuito de tornar os ciclos de vida previamente conhecidos e mapeados com todos os seus desdobramentos.

Na maioria das vezes isto se aplica quando queremos agradar ou provar alguma coisa para os que estão ao nosso redor. Resultado: Nos fechamos para as surpresas dos prodígios!

Um prodígio fica evidente quando uma criança, por exemplo, domina certa habilidade que geralmente só é dominada por pessoas com idade mais avançada, contrariando assim qualquer tipo de índice previamente estabelecido pela sociedade.

A vida esta mais para um processo de manufatura do que para produção industrial. É impossível sistematizá-la, pois para cada individuo existe um meio, um modus operandi que é peculiar ao fim (propósito) pelo qual se foi chamado.

Os índices nos rotulam e nos faz reféns dos Indícios. Os indícios se baseiam em sinais aparentes e prováveis. Ora, se é provável não pode ser prodigioso.
Em outras palavras, nos tornamos previsíveis e decorados. Todos já conhecem de cor e salteado nossas reações. O modo de pensar fica enrijecido, a pluralidade da criatividade cede espaço para singularidade da vaidade. A novidade de vida é suplantada pela mesmice repetida (desculpe o pleonasmo) de cada dia.

Viver preso aos índices e indícios é pegar o bonde andando, dançar conforme a chuva é não criticar o status quo, é aceitar as coisas do jeito que são, é se prender aos canais, sem checar a fonte.

Faz-se necessário romper com os índices e indícios para se alcançar o Principio.

Quando se foca no princípio se tem acesso às fontes primárias, a origem, a verdade nua e crua sem qualquer tipo de adulteração que vier ter sofrido ao longo da linha do tempo.

Hoje os meios de comunicações estão saturados de índices e indícios, estão divorciados do principio. Boa parte das informações que recebemos, já vem processadas e customizadas ao gosto do editor, pronta para engolirmos.

Cá entre nós, isto é cômodo! Quem quer ter o trabalho de examinar item a item, é mais fácil pegar carona na opinião do outro, dá menos trabalho. É justamente neste cenário que os rótulos, partidos e facções são criados. Fechamos com um lado, a ponto que quem segue a linha de pensamento do “fulano” é capaz de matar o que segue a linha do “beltrano”.

Repare como uma mentalidade baseada em índices e indícios produz divisões e brigas entre as pessoas. É um prato cheio para quem esta no poder, pois não existe nada mais fácil de manipular do que um povo dividido.

Por mais trabalhoso que seja, vale a pena viver baseado no Princípio. Nele encontramos vida, flexibilidade e comunhão. E esta comunhão não necessariamente é de pensamento, pois somos livres para pensar de forma diferente acerca de determinado assunto, trata-se de uma comunhão de sentimento.

É entender que cada um tem uma jornada de vida, com seus próprios percursos, curvas e declínios. Não nos prendamos ao que o mundo diz que devemos ser em cada faixa etária da vida, estejamos abertos para as surpresas dos prodígios.

No Livro da vida não existe índice, pelo simples fato de não ser possível sistematizar algo tão subversivo quanto a vida! Até porque quem o escreveu já sabe o fim desde o começo, então para que índices e indícios? Só o principio já basta, então foque nele.

2 comentários:

Anônimo disse...

"Só o príncipio já basta". Excelente texto com uma brilhante conclusão! Jair Junior

Peu Rocha disse...

Oi
Que lindo
Q haja sempre estrelas a sorri na sua vida :)
Passando e amando seu blog
Ja sou uma seguidora
Tenho meu cantinho e adoraria ter vc por la
Bjs