sexta-feira, fevereiro 21

Uma Jornada Inesperada


Por Bruno Jardim

"Nada é permanente, exceto a mudança." Heráclito

Pesquisas recentes realizadas pelo psiquiatra Jeffrey Schwartz, professor e pesquisador da University of California em Los Angeles (UCLA), comprovaram aquilo que todos nós já percebemos na prática: "o cérebro humano é resistente a mudanças".

O novo nos assusta! Segundo Dr.Jeffrey, "os cérebros são programados para enviar mensagens de alerta quando algo fora do comum acontece, sinais de detecção de erros são gerados e emoções como irritabilidade e medo são disparadas, comprometendo a capacidade de raciocínio lógico".

É mais ou menos como aquele ditado: se pintar o capim de azul o cavalo morre de fome. Qualquer mudança no roteiro do dia a dia é o suficiente para entrarmos em parafuso!

O resultado disso pode ser notado em padrões, respostas semiautomáticas, dificultando assim o desenvolvimento de novas conexões neurais. Com isso, a maneira de pensar fica cristalizada, enrijecida.

Isso é preocupante, pois a vida é repleta de surpresas! Muitas vezes, ela se torna em uma jornada inesperada. E pelo visto o cérebro tem aversão a esse tipo de coisa.

E o que dizer das boas novas do evangelho? Que vem justamente anunciar uma novidade de vida que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram e nem chegou ao coração do homem (1 Coríntios 2:9).

Não é a toa que o apostolo Paulo afirma que não devemos nos conformar com este mundo, mas transforma-lo pela renovação do nosso entendimento (Romanos 12:2).

Ao romper com o conformismo de pensamento, a maneira de pensar deixar de ser cristalizada para ser Cristoalizada. Eu diria que esta Cristoalização é um processo contínuo, resultado da renovação do nosso entendimento que, a saber, ocorre em todo novo amanhecer, graças às infinitas misericórdias do Senhor que se renovam (Lamentações 3:22-23).

Como dizia o maluco beleza, Raul Seixas: "eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo."

Os pensamentos deixam de ser reféns da nossa cosmovisão, que é a visão particular que temos sobre o mundo, e passam a ser levados cativos a obediência de Cristo (2 Coríntios 10:4-5), tornando- se assim em um organismo vivo em constante mutação. Capaz de se reinventar e se adaptar em qualquer cenário circunstancial.

Cada demanda da vida exige uma análise específica e uma resposta personalizada. Porém, é mais cômodo se deixar guiar pela visão particular que temos sobre o mundo e permitir que ela padronize as respostas.

A maneira como percebemos o mundo é resultado de nossas experiências. É a partir delas que construímos uma representação única da realidade. As percepções são registradas pelo nosso sistema nervoso e servem como pano de fundo para a construção de comportamentos que sejam adequados ao ambiente externo. É assim que desenvolvemos a nossa cosmovisão.

A questão é que temos uma Mente que mente e nem sempre a representação sobre a realidade corresponde de fato à realidade. Isso ocorre porque nossos registros internos refletem a percepção que tivemos sobre determinados eventos e não exatamente como eles aconteceram.

É justamente para não cairmos nesta "armadilha" da mente que Jesus nos orienta para que antes de segui-lo, devemos abandonar nossa casa (Mateus 19:29).

Não se trata aqui de algo literal, mas sim de uma representação mental simbólica que interfere na vida do indivíduo, fazendo com que este seja tendencioso a replicar comportamentos caseiros em meio ao mundo a fora, colocando assim em risco a caminhada da jornada.

Ora, são cenários completamente diferentes! O que dá certo em casa, não necessariamente dará certo em outro local. Isso é pensar fora da caixa! Cada cenário traz consigo suas peculiaridades, sejam elas culturais, sociais, políticas, econômicas, religiosas e etc..

Essa lógica é tranquilamente aplicada em qualquer área da vida: casamento, vida profissional, ministerial, relacional, familiar. Cada pessoa ou situação é um universo a parte. Sempre existirão similaridades, mas no final nenhuma pessoa ou situação é idêntica a uma outra, dado as variáveis de cenário, tempo, contexto, maneira de pensar e agir.

A mente de Cristo convida-nos constantemente a abandonar as "receitas de bolos existências" para mergulhar de cabeça em toda complexidade do universo humano. Fazendo compreender que cada caso é um caso, respeitando o próximo e entregando a ele uma resposta sob medida que de fato irá saciar seus anseios existenciais.

Esta maneira de pensar está diretamente ligada ao processo de humanização que todos nós estamos sujeitos. Ser mais humanos e menos máquinas. Por isso somos a imagem e semelhança de Deus, pois ELE sendo Deus se esvaziou e tomou a forma de homem através da pessoa de Jesus Cristo e nos deixou a referência plena de humanização (Filipenses 2: 5 -8).

Infelizmente o que se tem visto hoje são mentes preguiçosas, conformadas com este mundo. Não querem colocar o tico e teco para funcionar. E os efeitos colaterais deste tipo de conduta são gravíssimos, principalmente nas igrejas.

É mais fácil atribuir a todos os problemas existentes como sendo de causas espirituais. E o que se tem visto hoje nas igrejas são dois tipos de respostas padronizadas: diabo e pecado.

Ou a pessoa está endemoninhada ou está com algum pecado oculto. Existem aqueles que assim respondem por ignorância por ainda não terem conhecido a verdade, mas infelizmente muitos líderes usam este tipo de resposta de forma proposital, a fim de manter o humilde de coração na ignorância e sugar dele até a última moeda.

Isso está com os dias contados! O destino para tudo àquilo que não se aperfeiçoa e insiste em ficar paralisado no tempo, estagnado, padronizado é endurecer e uma vez endurecido vem abaixo. Não fica pedra sobre pedra!

Essas estruturas de pensamentos passam e acaba dando lugar para uma forma de pensamento fundamentalizada na mente de Cristo, aberto para as surpresas da vida! Onde se é possível ver graça até mesmo na desgraça, ver oportunidade em meio à calamidade e extrair lições aprendidas de qualquer evento. Caminhando de glória em glória até alcançarmos a estatura da perfeição.

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Referência Bibliográfica:

A Elite do Coaching no Brasil - Neurocoaching: Como o Coaching Interage com seu cérebro; páginas 50 e 51.


3 comentários:

Alessandro Felippe disse...

Gostei do ar empirista que fala sobre a percepção pela experiência, penso por aí tb, abandonar nossa a casa é contestar-se, talvez assim, quem sabe, possamos um dia alcançar o estado de Espírito de um cristo. Nossas ideias podem ser nossa parentela que resiste a mudanças.

Priscila Felippe disse...


Adorei a forma como você aborda a área psíquica fazendo uma interconexão com o evangelho e a psicologia, que para muitos são assuntos completamente opostos. Na sua dissertação é nítido como todos as coisas estão interligadas e se o preconceito deixasse espaço para a sabedoria teríamos um resultado excelente para a saúde mental e espiritual.

Fabio Jardim disse...

Show de bola! Eu queria tanto ter um irmão assim... Rs rs