POR BRUNO JARDIM
POR BRUNO JARDIM
Se tem uma coisa que aprendi na caminhada é que Jesus não sentiu dor para nos livrar da dor.
Ele sentiu dor para nos livrar de atravessá-la sozinhos.
No Getsêmani, Ele sua sangue.
Na cruz, Ele sangra.
E, pela sua morte, nos devolve a vida.
Esperar em Deus é descer no chão da vida, arriscar o vínculo e descobrir que a graça não nos poupa da dor, mas nos garante presença no meio dela.
Porque o evangelho nunca prometeu ausência de sofrimento.
Prometeu companhia.
E sim, Ele está conosco todos os dias…
“até que…”
Tem coisas que permanecem na nossa vida não porque Deus mandou ficar, mas porque a gente teve medo de deixar ir.
Às vezes fica por carência, apego e porque chamamos de amor aquilo que já virou prisão.
“Há tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de lançar fora” (Ec 3:6).
Jesus amou o jovem rico… e o deixou ir.
Amor que escraviza não vem do Reino.
E despedidas também podem ser atos de obediência.
Nem tudo que fica é de Deus.
E nem tudo que vai embora é perda.
Recomeçar, muitas vezes, é discernir que Deus não está no que insiste em ficar, mas na liberdade que nasce quando temos coragem de deixar ir.
Deus não nos chama para suportar o que nos adoece, mas para viver o que nos edifica.
Minha oração é que, em sua vida, fique apenas o que gera vida.
Deus não espera o coração se recompor para se aproximar.
Ele se achega quando o peito aperta, quando a fé anda devagar, quando a oração sai curta.
Há dias em que o coração está abatido, mas ainda assim ele bate. E Deus caminha nesse ritmo
Pois, "perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido.” Salmos 34:18
Guarde isso...
A esperança não começa quando a dor acaba, mas quando Deus começa a caminhar conosco no ritmo possível.
Eu sei que o amor lança fora todo medo,
mas talvez exista um medo que, por amor,
o amor prefira “não lançar fora”:
o medo de lugar fechado.
O amor não cabe em gavetas.
Empalidece nos corredores sem janela.
Precisa de janelas, varandas, portas abertas,
de horizontes onde a respiração se alonga.
Gosta mesmo é de quintal.
É assim que renasce:
na ventilação do encontro,
no espaço do coletivo,
onde cabem risos, lágrimas, gritos e silêncios.
Amor não é represa.
Não tem a ver em conter, mas de permitir correr.
É como calha: busca encontrar passagem
para chegar ao outro lado.
Não dá pra represar,
amar sempre vem a calhar.
Talvez você já tenha se perguntado por que certas oportunidades nunca se abriram para você. Não estou aqui para justificar fracassos ou aliviar culpas, mas para refletirmos juntos sobre situações em que o seu não acesso pode ter sido, na verdade, uma medida preventiva de Deus, justamente porque Ele conhece o seu coração melhor do que você mesmo.
Costuma-se dizer que o poder corrompe,
mas, na verdade, o poder apenas revela o que já habita no interior. E é
exatamente por isso que quero falar sobre o maior e mais importante dos
acessos: o acesso à Presença de Deus.
Por exemplo, Deus não me recebia
em Sua Presença enquanto eu ainda era escravo do pecado. Como lemos em Isaías
59:1-2:
"Eis que a mão do Senhor não
está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não
poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso
Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos
ouça."
A questão que surge é: o que o
acesso irrestrito a Ele produziria em mim? Qual seria a motivação do meu
coração? Provavelmente, um coração corrompido pelo pecado reagiria da mesma
forma que Lúcifer. Ao contemplar a glória, não se prostraria, mas tentaria
usurpar. Desejaria ser igual a Deus, não para adorá-Lo, mas para ocupar o Seu
lugar.
O ponto central é este: Deus me
priva da Sua Presença, não por falta de amor, mas por cuidado. Há um grande
risco de que, nessa condição, eu queira instrumentalizar Deus para satisfazer
meus próprios interesses. Essa é a essência de um coração não redimido diante
da santidade. Ele não se rende, tenta usurpar. Quer ser deus para ter poder e
dominar.
A restrição de acesso à presença
de Deus, enquanto o coração não foi transformado, não é punição, mas proteção.
Essa restrição não tem relação
direta com mérito ou merecimento, afinal, sempre foi tudo pela Graça. Mas está
relacionada à consequência inevitável de um coração não redimido ao se deparar
com a beleza da santidade de Deus.
A minha condição não permitia que eu fosse até Deus. Por isso, Ele veio até mim.
Aqui está o escândalo da Graça:
ela se manifesta tanto no acesso que temos a Deus, quando somos resgatados por
Ele, quanto na barreira que o próprio Deus estabelece enquanto ainda éramos
escravos do pecado.
Ambos são expressões do mesmo amor e entender isso faz o seu coração navegar nas águas do amor do Pai.
Uma vez redimidos, esse acesso
nos transforma de glória em glória, até que sejamos conformados à imagem de
Cristo e plenamente humanizados. Já a restrição desse acesso, enquanto ainda
perdidos, é uma medida preventiva da própria Graça, para que não sigamos o
mesmo caminho de Lúcifer e queiramos tomar para nós a glória que pertence
somente a Deus e, assim, nos luciferizarmos.
Em Cristo, Deus abriu o Caminho
para que, em humildade, possamos renunciar à pretensão de sermos o que não
somos e abraçar o processo de santificação. Esse é o caminho que culmina na
verdadeira individuação: sermos plenamente quem fomos criados para ser, em
Cristo.
Como Paulo afirma: "Tendo sido, pois,
justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus
Cristo, por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta
graça na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de
Deus." Romanos 5:1-2
Agora, justificados e com acesso pela Graça, podemos "segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor." Hebreus 12:14
Esse é o convite do Evangelho:
abrir mão do orgulho, abraçar a Graça e nos tornarmos verdadeiramente humanos,
à imagem de Cristo.
Graças te dou Senhor pelos acessos negados!
POR BRUNO JARDIM
O filme Aqui
é um Eclesiastes da vida.
Uma
reflexão sobre a transitoriedade da existência, a inevitabilidade do tempo e a
busca por significado em meio às mudanças constantes.
Pessoas
espalhadas por diferentes épocas, conectadas pelo mesmo espaço.
Seja na pré-história, no período colonial, no século 20 ou 21, todas são
atravessadas pelo que há de mais belo na experiência humana: a vivência.
Do
encontro com o amor ao peso do luto.
Dos desafios financeiros à provisão inesperada.
Dos sonhos engavetados ao reencontro consigo mesmo.
A grande
mensagem é que somos seres conectados pelas experiências.
Isso é o Reino de Deus: somos plurais, mas unidos pelo sentir.
Um filme que nos lembra da beleza e da fragilidade da vida.
Vale a pena assistir!
POR BRUNO JARDIM
Enquanto todos evitavam o contato por medo da contaminação, Jesus tocou aquele homem e o tornou puro.
Aqui está uma verdade: Enquanto tocar um leproso tornava alguém impuro, em Jesus acontece o oposto: ao tocá-lo, é o leproso que encontra purificação.
A fé gera afeto e transformação.
O Reino de Deus é um reino de aproximação, onde Jesus é o ponto de encontro das nossas relações.
Ninguém permanece o mesmo após esses encontros marcados pelo amor e pela graça.
Assim como o leproso, somos chamados a nos achegar com fé, certos de que nEle encontramos acolhimento, cura, restauração e um amor que transforma.
Em Jesus, a fé gera afeto, e o afeto gera transformação.
Dizem que descanso é parar.
Mas se fosse só isso, dormir seria suficiente.A oração é como um rio.
Não se pode vencer um rio sem submissão.POR BRUNO JARDIM
Em Mateus 13:52, Jesus compara o mestre da lei, instruído acerca do Reino dos céus, a um dono de casa que do seu tesouro, tira "coisas novas e coisas velhas".
Assim como o dono da casa, somos chamados a valorizar as lições do passado e abrir-nos às novas possibilidades que Deus nos oferece.
Recomeçar não é apenas encontrar algo novo, mas também ver o mesmo de outro jeito.
Portanto, não tema recomeçar.
Olhe com olhos que sabem ver além do óbvio.
E confie que Deus transforma o velho em novo e o novo em eterno.
POR BRUNO JARDIM
Uma mulher sofria há anos com uma hemorragia contínua, vivendo à margem da sociedade.
Que não seja feita a minha, mas a Tua vontade.
Essa é a oração mais desafiadora.
Pois a vontade de Deus é invariavelmente boa, perfeita e agradável.
Já a nossa vontade nem sempre é assim.
A minha vontade às vezes é boa, perfeita e agradável para mim, mas não é para o outro.
A de Deus é para o bem de todos.
Pois, tudo que vem de Deus é completo.
Tem origem, meio e fim.
Pois dele (origem), por ele (meio) e para ele (fim) são todas as coisas.
Que seja feita a Tua vontade Senhor, nela há o todo.
POR BRUNO JARDIM
Eu sei que, em meio às tempestades da vida, o barulho da aflição pode se tornar ensurdecedor, abafando até mesmo a voz de Deus.
As preocupações, medos e incertezas parecem gritar dentro de você, te fazendo sentir sozinho e distante do Pai.
Às vezes, o barulho da aflição faz com que você não ouça a voz de Deus.
Mas, Deus não deixa de te ouvir por conta do barulho da sua aflição.
A boa notícia é que há um refúgio seguro no Abba.
Jesus ensina para orarmos ao Abba.
Abba é como o balbuciar de uma criança, uma expressão íntima e afetuosa, anterior à linguagem e aos conceitos.
É a oração antes da oração, o silêncio no abraço de Deus, onde o Espírito se conecta ao nosso espírito sem necessidade de palavras.
Traga a sua oração para dentro do Abba e viva a intimidade de um coração que se faz pequeno, experimentando a profundidade do amor divino.
Talvez você já tenha percebido que a vida é feita de altos e baixos e o que acontece no lado de fora também acontece aqui no lado dentro.
Daí a importância de ser sóbrio em tudo.
Ser sóbrio é ter equilíbrio.
É não se deixar embriagar pelo vinho que os momentos alegres proporcionam e nem se deixar deprimir pelos momentos tristes.
O dia cinzento da aflição é passageiro.
Por trás do céu nublado, há o Sol da Justiça que permanece brilhando, sem sombra de variação.
Não esquecer isso vai te ajudar a permanecer firme durante as variáveis da vida e os dias de escuridão.
A melhor maneira de suportar as variáveis da vida, é confiando Naquele que não tem sombra de variação.
Pois, por cima das variáveis, está Àquele que É invariável e que nada foge dos Seus cuidados.
Siga firme, mesmo variando.
Jesus mostra o significado da mansidão quando, ao ser rejeitado em um povoado de Samaria, seus discípulos indignados sugeriram que Ele pedisse fogo do céu para consumir aqueles que não O acolhiam.
Mas, com mansidão, Jesus os repreendeu: “Vocês não sabem de que espírito são." Lucas 9:55
A mansidão está ligada ao desapego.
Daí a necessidade de observar o comportamento de Jesus que,
desapegado de Seu poder, Ele o usava unicamente para o bem de todos, nunca em
benefício próprio ou em busca de vingança.
Siga esse exemplo!
Essa atitude nos ensina a agir com reflexão e sabedoria, em vez de reagir impulsivamente.
Nunca se esqueça disso: mansidão não é fraqueza, mas força
controlada e direcionada para o amor.
Quando Jesus, após a ressurreição, apresentou suas cicatrizes aos discípulos. Ele não escondeu suas marcas, mas as usou como uma mensagem de esperança e renovação.
Cada cicatriz que você carrega é um sinal do que já enfrentou e do quanto foi forte.
Portanto, guarde bem elas...
Revele-as apenas pra quem esteja disposto a sua alma tocar, sem a necessidade de você se explicar.
Valorize suas cicatrizes.
Elas são a prova de que o recomeço venceu.
Noé obedeceu a Deus e enfrentou o dilúvio, mesmo quando parecia que a tempestade nunca teria fim.
Paulo, apóstolo de Cristo, nos ensina em sua carta aos Coríntios que “quando estou fraco, então é que sou forte”.
Era a noite da última ceia e Jesus dirige-se a Pedro dizendo: "Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos."