sábado, maio 30

Mas, para não escandalizá-los, vá ao mar e jogue o anzol. Tire o primeiro peixe que você pegar, abra-lhe a boca, e você encontrará uma moeda de quatro dracmas. Pegue-a e entregue-a a eles, para pagar o meu imposto e o seu". Mateus 17:27

     


POR BRUNO JARDIM

"Sujeira é matéria fora do lugar."
Foi assim que a antropóloga britânica Mary Douglas definiu a sujeira em seu livro Pureza e Perigo.
Por exemplo: a terra no jardim é vida. Mas, essa mesma terra no sofá da sua sala é sujeira.
O fato é que, quanto mais penso no milagre do peixe com a moeda na boca, mais essa lógica faz sentido.
Porque o problema nunca foi a moeda.
Era o lugar onde ela estava.
Quando retirada da boca do peixe, aquela moeda serviu para pagar o imposto de Jesus e de Pedro.
Mas, dentro da boca do peixe, era peso, incômodo e engasgo.
Talvez seja assim com muitas coisas dentro de nós.
Há dores que carregam aprendizado.
Há cicatrizes que carregam sabedoria.
Há histórias que carregam testemunho.
Nada disso perdeu o valor. Só está no lugar errado.
Por isso Jesus diz a Pedro para abrir a boca do peixe.
Porque o Deus que conhece o mar e o peixe, também conhece o que está atravessado em sua alma.
Ele sabe onde está a moeda e o que está sufocando você.
E sabe que aquilo que hoje parece apenas dor pode ser ressignificado.
Talvez a cura comece quando permitimos que Jesus retire da alma aquilo que não deveria morar ali.
Porque aquilo que está engasgando você hoje pode ser exatamente a matéria-prima do testemunho de amanhã.
O Deus que encontrou valor naquela moeda continua encontrando valor onde ninguém mais procura.
Inclusive dentro de você.
Você tem valor.

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