Em tempos de férias o lugar preferido pela maioria das pessoas é a praia. Todos contam nos dedos o tal sonhado dia de descanso. Praia representa aquele momento de se desligar do stress do dia a dia. Férias, principalmente no verão, terão de ter praia!
A praia representa uma espécie de alvo, um lugar para se chegar. Não é a toa que existe a expressão; “... nadar... nadar... nadar... e morrer na beira da praia”.
O tráfego normal é uma jornada do mar para praia. Todos buscam por uma praia existencial, um lugar onde se possa relaxar, viver em uma zona de conforto, satisfazendo nossos próprios desejos.
É justamente para estar nessa situação que a maioria vive, o curso deste mundo tem como alvo a satisfação própria;
“Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo... andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira...” (Efésios 2: 2 e 3).
Neste lugar o deus a que se serve chama-se ventre, por estar na areia só se pensa nas coisas terrenas. A sensação de bem estar é tamanha que não se percebe que na verdade o que esta ocorrendo é uma morte lenta. Essa areia é una uma areia movediça, somos engolidos por nossos próprios desejos, não conseguindo escapar por conta própria.
Mas de repente somos perturbados em meio à calmaria, algo nos puxa para fora dessa areia... “Porque eu, o SENHOR teu Deus, te tomo pela tua mão direita; e te digo: Não temas, eu te ajudo.”
Quando somos chamados por Cristo, somos achados na areia. Mas, o socorro que vem do Alto nos convida a olhar para o alto e vislumbrar o horizonte. Nesse momento ocorre uma subversão de direção. Se antes a praia era o fim, agora ela passar a ser o início da jornada.
Isso é conversão!
Deus se estabelece como referência a ser seguida e ELE faz questão de se estabelecer no horizonte. E lá vamos nós rumo ao horizonte, a cada dia vivendo uma novidade, melhorando, se tornando mais parecido com ELE.
Quando se pensa que se alcançou o horizonte, percebe-se que mais longe ele fica. Assim é a relação com o horizonte; a quantidade de passos que nos aproximamos dele é a mesma quantidade que ele se afasta de nós, tornando- se impossível a chegada até ele.
Fomos chamados da areia para o horizonte, a perfeição é o nosso fim, e ela esta lá, no horizonte.
A questão é; nunca (em vida) iremos alcançar tal alvo. Pois na vida que Cristo nos chama para viver, cada fim alcançado não tem um fim em si mesmo (não é uma areia movediça), antes se torna um meio para alcançar algo maior. E assim vamos vivendo de glória em glória... A vida passa a ter reticências e não ponto final.
Paulo, o apóstolo não parava quieto, por todo lugar que passava estabelecia a Igreja de Cristo, não ficava preso a nada, era um verdadeiro apóstolo, não postulava nada para si. Aliás, a etimologia de apóstolo é essa: a – prefixo de negação, postulo – postular. Ou seja, o verdadeiro apóstolo é aquele que não postula nada para si.
Muitos postulam sonhos com a motivação errada, para o seu próprio prazer. E por mais paradoxal que pareça, quando assim o faz, a realização de um sonho, implica na morte de outros sonhos, pois achamos que já conquistamos o que tínhamos para conquistar, não tendo mais nada para se alcançar.
Prefiro seguir a recomendação de Paulo, o apóstolo incomodado:
“Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus... quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim...”(Filipenses 3: 12 e 13).
Viver esse sentimento de “não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito...”, nos livra do risco de sonhos se tornarem em areia movediça. O melhor é viver como se nada tivesse alcançado (mesmo que o tenha). Acomodação só existe na praia, já uma vida rumo ao horizonte é feita de constantes desafios, viver com Cristo é uma vida de aventura, de incomodação.
Neste caminho subversivo nunca se morre na praia! Pois ela não é mais o alvo, antes, é o ponto de partida, é o lugar de onde fomos achados e tirados.
Em Cristo, onde somos chamados da praia para o horizonte...