domingo, junho 28

Eu aumento, mas não invento

Dono do bordão "eu aumento, mas não invento", Nelson Rubens ganhou fama de fofoqueiro por causa das colunas sobre a vida dos famosos. Com ele qualquer copo d"água tem o potencial de virar tempestade, mas ele garante que nunca inventa nada, apenas aumenta.

Da mesma forma percebo que em muitas vezes Deus tem sido "superlativizado". Sinceramente, ELE não precisa disso para ter Seu nome exaltado.

É preocupante notar a manobra que muitos praticam com as coisas de Deus. E isso não se restringe somente à Palavra, os testemunhos também são alvos de manipulações.

Estes são carregados de hipérboles. É notável o exagero intencional com que eles são contados. O cara que antes de se converter usava uma atiradeira para matar passarinho, agora em seu testemunho relata que andava armado com fuzil e que era um bandido perigoso. A pessoa é capaz de dizer que foi curada de câncer pelo simples fato de espremer um furúnculo (a recomendação médica é para não espremer, pois quando espremido deixa cicatrizes). Essas figuras são dignas de Oscar, dada a forma dramática como as coisas são contadas.

Essa mania de aumentar sem inventar não é de hoje. Eva também cometeu o erro de acrescentar uma palavra na ordem de Deus. Diz o relato bíblico que:

"Deus ordenou ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2; 16 - 17). A ordem de Deus era clara: o homem não podia Comer do fruto daquela árvore.

Porém, certa vez a serpente quis "ficar por dentro" do que Deus ordenara; "e esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. " (Gênesis 3: 1 - 2 ).

De primeira vista parece que Eva respondeu certo, mas uma atenção especial nos detalhes, perceberemos que ela foi além do que Deus havia ordenado. A ordem era para não comer, porém Eva acrescentou que não poderia também tocar. Isso foi o suficiente para que a serpente encontra-se uma brecha, e ali começasse a agir.

A melhor arma contra as investidas do mal é a Palavra. É só lembrar que essa foi a ferramenta usada por Jesus quando ELE foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado. Cada tentação do diabo era respondida com um "Está escrito!"

Está com fome? Transforme pedra em pão, você tem poder para isso! "Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só do pão viverá o homem, mas de toda a Palavra de Deus."

Se tu és o Filho de Deus, pule do pináculo (ponto mais alto de um determinado lugar, nesse caso do templo), pois os anjos irão lhe tomar nas mãos: "Está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus."

Veja os reinos do mundo e toda a sua glória, ta a fim? É só se prostar e me adorar! "Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás."

Para cada tentação Jesus tinha uma resposta fundamentada na Palavra. Com isso o diabo o deixou, então vieram os anjos e o serviram (Mateus 4; 1 ao 10).

Jesus colocou em prática o que diz Tiiago 4:7; "Sujeitai-vos, pois a Deus, resisti ao diabo e ele fugira de vós." Só quem se sujeita a Deus tem condições de resistir o diabo.

Se sujeitar a Deus implica em dizer sim para ELE, que por sua vez é falar a favor da Palavra, que é a verdade! E "nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.” (II Coríntios. 13:8). A palavra deve ser dita tal como ela é. Infelizmente Eva não soube falar a favor do que Deus havia ordenado, logo o diabo não fugiu dela, pelo contrário encontrou ali um cenário perfeito para agir.

Que tomemos o exemplo de Cristo, não é a toa que ELE é o Adão que deu certo! O verbo que se fez carne tinha a palavra na ponta da língua. Da mesma forma quando nos apoiamos sobre a verdade, não sobra espaço para as armadilhas do inimigo. Se pararmos para analisar, veremos que toda tentação é acompanhada de um escape. E este na maioria das vezes reside na lembrança de alguma palavra que lemos ou ouvimos. Daí a importância de termos em mente o que Está Escrito.

A força do cristão é a verdade. E esta não precisa de "superlativização" e nem de adendos humanos.

Ai daquele que tirar ou acrescentar uma palavra da Palavra! (Apocalipse 22,18). Nada de complementos, não aumente sem inventar e muito menos não invente. A Palavra em si já se basta !

A Civilização do Reino e a integração dos povos

Você já se perguntou o porquê de alguns países serem classificados como terceiro mundo? Se os países subdesenvolvidos são terceiro mundo, e os desenvolvidos são chamados de primeiro mundo, quem seriam os países do segundo mundo? Aliás, por que nunca ouvimos esta designação?

Na verdade, tais designações já não fazem sentido, desde a Perestroika (abertura política da Rússia), da queda do Muro de Berlim, e do fim do comunismo no Leste Europeu.

Os países comunistas, liderados pela antiga União Soviética, formavam o segundo mundo.

Ora, se já não existe o segundo mundo, não faz sentido classificar países como sendo de terceiro mundo.

Hoje, há outro tipo de classificação. Há os países desenvolvidos, os emergentes (Brasil e Índia, por exemplo), os subdesenvolvidos, e ainda os muçulmanos.

Apesar das diferenças culturais, políticas e econômicas, aos poucos estamos desenvolvendo a consciência de que o Mundo é um só, e não três, como classificávamos antes.

Também aos poucos, países com proximidade cultural e geográfica, unem-se em blocos econômicos, como é o caso da União Européia, do Mercosul, da NAFTA e etc.

Tais blocos relacionam-se entre si, promovendo a chamada Globalização. Trata-se de uma tendência que dificilmente será revertida. O Mundo se tornará numa grande aldeia global.

Seria isso parte do plano de Deus para a humanidade?

Como cristãos, deveríamos temer a unificação dos povos?

Seria prenúncio do fim? Ou isso estaria preparando o cenário para a ascensão de um líder mundial, que encarnaria as características do tão temido anticristo?

Em Isaías 19:23-25 lemos uma interessante passagem que nos revela o interesse de Deus na integração dos povos:
“Naquele dia haverá estrada do Egito até a Assíria. Os assírios virão ao Egito, e os egípcios irão à Assíria. Os egípcios adorarão com os assírios ao Senhor. Naquele dia Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra. O Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, a Assíria, obra das minhas mãos, e Israel, minha herança.”

Imagino o escândalo que tal profecia deve ter causado entre os judeus mais ortodoxos.

Como Deus poderia referir-se ao Egito como “meu povo”? Israel se achava detentor exclusivo de tal título. Nenhum outro povo poderia usurpá-lo, quanto mais o Egito.

O Egito foi o primeiro grande império pelo o qual os filhos de Israel foram dominados. A Assíria era o império da vez, que levara cativo os judeus, e destruíra completamente sua santa cidade, Jerusalém.

Agora vem o Deus de Israel dizendo pelos lábios de Isaías, que no futuro haveria integração entre o Egito, a Assíria e Israel. Isso era simplesmente inconcebível.

Como seres limitados que somos, focamos os conflitos atuais, mas o Senhor enxerga para além do horizonte histórico. Mesmo Seus juízos visam, a longo prazo, trazer harmonia entre os povos.

A promessa de Deus é que “desde o nascente do sol até o poente”, Seu nome “será grande entre as nações” (Ml.1:11).

As nações muçulmanas são obra de Suas mãos, e um dia reconhecerão a Jesus Cristo, não apenas como um profeta abaixo de Maomé, mas como Deus que Se fez homem, e caminhou entre nós.

Estados ateus, como a China, se prostrarão e reconhecerão que todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele. A propósito, a igreja chinesa é a que mais cresce no mundo. São mais de 100 milhões de chineses que adoram ao Deus da Bíblia reunidos em porões de igrejas clandestinas.

A Índia se libertará de sua idolatria crônica, e adorará somente o Deus de toda a Terra.

As fronteiras cairão! Uma nova civilização será construída ao redor do Trono.

“Todas as famílias das nações se converterão ao Senhor” (Sl.22:27).

Na verdade, do ponto de vista espiritual, a unificação da humanidade se deu a partir da cruz, quando as paredes ruíram, e de todos, Deus fez um só povo.

Estados, sistemas políticos, ideologias, governos, todos estão fadados a passar. Mas a civilização do Reino permanecerá para sempre.

Texto de Hermes C. Fernandes

quinta-feira, junho 25

A Síndrome de Estocolmo


O homem foi criado para viver na dependência de Deus, tendo NELE toda a fonte e perspectiva de vida. Porém, ao comer do fruto proibido, ele declarou sua independência, sendo conduzido pelo diabo à escravidão do pecado.

Com isso passamos a ser propriedade do pecado. A independência foi o preço pelo qual nos vendemos. Fomos levados cativos, nos tornamos prisioneiros de nossas próprias concupiscências.

E agora, vendidos como escravo ao pecado nos tornamos reféns do mesmo. Impedidos de fazer nossa própria vontade, antes estamos sujeitos à vontade daquele que nos assenhoreou. Ou “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça (Romanos 6;16) ?"

Porém, o cativeiro que deveria representar terror acaba servindo de paraíso para a nossa carne. Essa percepção é oriunda de uma mente tomada pelo pecado. Ela faz com que Homem e pecado se tornem amigos.

Com isso percebe- se que o pecado nos provoca uma espécie de “Síndrome de Estocolmo”. Que é o nome atribuído a um fenômeno psicológico diagnosticado, pela primeira vez, após um assalto com seqüestro ocorrido na capital sueca nos anos 70. Ao longo do período de cativeiro, que durou seis dias, os reféns desenvolveram, em relação aos seqüestradores, uma relação afetiva.

Tal síndrome, em síntese, resulta de uma operação mental inconsciente, gerada com o objetivo de proteger a psique, mediante a ilusão de que não há um perigo real na situação a que o seqüestrado fica exposto.

Da mesma forma o vírus do pecado não permite que vejamos o real cenário de morte que estamos inseridos. Pecamos sem saber do perigo que estamos correndo. Vivemos em uma verdadeira ilusão. Somos seduzidos como pelo “canto de uma sereia” a manter um relacionamento com aquele que só tem a morte para oferecer, ainda que esta venha travestida de prazer e de glamour.

E agora, “quem me livrará do corpo dessa morte?" (Romanos 7:24)

A libertação disso tudo reside na redenção de Cristo! Nela fomos comprados de volta. Se antes nossos pensamentos estavam cativos no pecado, agora o temos levados cativos à obediência de Cristo (II Coríntios. 10:5). O sacrifício da Cruz provoca o divórcio entre o homem e o pecado.

Quando nos rendemos ao Senhorio de Cristo, recebemos a redenção de nossa alma. Ambientes que outrora tínhamos prazer em participar, agora nos causa náuseas. Passamos a amar o que ELE ama e a odiar o que ELE odeia. Sentimos nossa miséria, a ponto do nosso riso ser convertido em pranto e o nosso gozo em tristeza (Tiago 4:9). O que tínhamos como lucro se torna prejuízo e vice e versa. A mente de Cristo nos faz perceber o real cenário em que estamos inseridos.

Com isso todo o glamour e ilusões oriundas de uma mente corrompida pelo pecado caiem por terra. A redenção de Cristo nos provoca uma desilusão. Como diz Caio Fábio “todas as nossas desilusões deveriam ser por nós tratadas como bênçãos, pois, afinal, trata-se de uma dês-ilusão; ou seja: da libertação da ilusão.”

Enquanto vivermos nesse corpo sempre teremos contato com o pecado. Aliás, nosso corpo continua faminto e escravo de suas próprias concupiscências. Sempre haverá nessa vida uma batalha entre carne e Espírito.

Mas agora uma mente renovada e desiludida percebe nitidamente quando esta se enveredando por caminhos errados.

Que possamos viver na certeza de que Cristo “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser conforme o seu corpo glorioso (Filipenses 3:21a).” Isso ocorrerá quando Cristo retornar para encontrar- Se com seus redimidos. Neste momento seremos livres da presença do pecado e a redenção terá alcançado seu ápice.

Enquanto isso não ocorre devemos manter nossos pensamentos cativos à sua obediência, assim fazendo não iremos cair novamente em uma Síndrome de Estocolmo.

segunda-feira, junho 22

Loucos e Hereges

Ninguém quer ser chamado de louco. Também ninguém quer ser chamado de herege... à menos que seja louco! (rsrs). O problema é que temos, hoje, uma religiosidade que tem por sã doutrina uma doutrina absolutamente enferma, mas que é a doutrina da maioria e por ser da maioria é tida por certa.

Qualquer pessoa que questiona, duvida ou nega esta doutrina será o herege da vez. Diante disso, muitos se acovardam e traem a própria consciência pregando o que não crêem, crendo no que não pregam e fazem de tudo, cometem as maiores contradições a fim de não serem contraditos pela maioria.

A verdade é que precisamos de loucos e hereges que sejam capazes de deixar suas sementes subversivas contra esse mundo doente de sãos e santos com sua religiosidade perfeita e morta, incapaz de acolher os loucos e hereges com os quais Cristo andou e se identificou.

Não foi a toa que Jesus foi chamado de herege (ou devo dizer blasfemo, que era o termo usado na época). Ele não andava, nem pensava, nem falava como a maioria. Muito pelo contrário, andava com os excluídos, dizia que não havia vindo para os sãos e ainda se identificou com os loucos deste mundo. Certamente isso causou grande impacto e por isso, sua vida, fez tanta diferença.

O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade não se deu por causa de seus milagres, pois Deus os poderia realizar como sempre os realizara desde o princípio. Afinal, os milagres mais extraordinários estão relatados no Antigo Testamento. Também não se deu por causa de seus discursos, pois muitos grandes oradores houve antes e depois de Cristo, sem que proporcionassem tamanha repercussão. O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade se deu, exatamente, por ocasião da humanidade de Jesus, na sua identificação com o fraco, o pobre, o necessitado e pecador. Um líder com tal estilo de vida contrariava – e ainda hoje contraria – todos os anseios da religiosidade, sempre estática.

Grandes homens como Galileu Galilei, Copérnico, Colombo e Einstein foram chamados de loucos. Graças as suas loucuras os sãos podem desfrutar, até hoje, dos benefícios do avanço científico oriundo de suas descobertas. Não fossem eles loucos, anormais e desmedidos o mundo ainda estaria mergulhado na idade média, também chamada de idade das trevas. Mas a iluminação só foi possível porque esses loucos desafiaram o bom senso e todo conhecimento vigente, bem como as normas e a moral de seu tempo.

Grandes homens como Pedro Abelardo, Jerônimo Savonarola, Martinho Lutero, Zwingli, João Calvino, Marthin Luther King, Dom Elder Câmera, foram chamados de hereges por que contrariaram a religiosidade de seu tempo. Não temeram as represálias nem a morte por que pior lhes seria a morte da consciência. Sabiam que alguém lhes poderia matar o corpo, mas também sabiam que suas consciências estariam eternizadas nas sementes que deixariam em seus ensinamentos e seus testemunhos de vida.

Ademais, qual o problema em ser chamado de herege por aqueles que usam os púlpitos para angariar os votos que venderam em vergonhosos conchavos? Ou por aqueles que em nome do poder religioso mandam matar colegas de ministério? O que significa ser chamado de herege por aqueles que adotam uma teologia alienante que anula o fiel e lhe impõe um jugo pesado a fim de controlar cada um de seus passos? Qual o demérito em ser conotado como herege por aqueles se acham donos da verdade e não respeitam a multiformidade da Graça de Deus expressa na diversidade religiosa e cultural? Que vergonha há em ser chamado de louco por aqueles que usam máscaras de santarrão e títulos religiosos para esconder suas taras e vícios sexuais?

Brennan Manning, em 'O Evangelho Maltrapilho', afirma que “o espírito de Caifás é mantido vivo em todos os séculos nos burocratas religiosos que condenam sem hesitação gente boa que quebrou leis religiosas ruins. (...) O espírito embotador da hipocrisia vive nos clérigos que desejam ter uma boa imagem sem serem de fato bons.”

A religião se tornou patética, motivo de escárnio, tem sido ridicularizada nas novelas, programas de humor e rodas sociais. A razão disso não é perseguição, mas a própria realidade. A realidade do que a igreja se tornou. Seus líderes querem que o povo os aceite incondicionalmente e inquestionavelmente, enquanto eles mesmos são incapazes de olhar para si e perceber o quanto precisam mudar. Fecharam seu sistema e quem dele não faz parte é tido por louco e herege. Mas se ser são e santo é fazer parte dessa maioria, terrível coisa me seria seus elogios. Enquanto Deus me conceder sanidade mental, dessa trupe não quero parte.

Isso me lembra uma nobre frase de Darcy Ribeiro: “Na Verdade somei mais fracassos do que vitórias em minhas lutas. Mas isso não importa. Horrível seria estar do lado daqueles que venceram nessas batalhas”.

Sonho com uma igreja dinâmica, capaz de constatar e contestar os problemas sociais, ambientais, familiares, religiosos e não se omitir diante deles. Uma igreja que mesmo sendo minoria é capaz de denunciar o mal, lutar pelo bem e dar sua própria vida pela Vida sem temer o que vá pensar a maioria, sem nem mesmo temer a morte.

Precisamos de novos loucos e hereges que incendeiem o mundo com fogo do qual Cristo desejou estar queimando já em seu tempo: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder” (Lucas 12:49).

AJUDA-NOS, Ó DEUS!

Texto de Julio Zamparetti

Desigrejados, uni-vos!

Jesus peitou o sistema religioso de Sua época, mesmo sabendo o alto preço que teria que pagar por Seu atrevimento.

Ele disse que faríamos obras ainda maiores. E por quê maiores? Quem somos nós para superarmos o nosso Mestre?

O fato é que, quando Jesus caminhou entre nós, o sistema religioso, por mais refinado que parecesse, ainda era rudimentar em comparação aos nossos dias.

Hoje, se quisermos seguir os passos de Cristo, teremos que peitar uma verdadeira indústria religiosa, onde as pessoas são vistas, ora como produtos, ora como clientes, e ora como engrenagens.

O que muitas vezes é chamado "discipulado", nada mais é do que a produção de seguidores em série, soldadinhos de chumbo, réplicas perfeitas de seus mentores.

Não foi isso que Jesus planejou quando recrutou Seus primeiros discípulos na Galiléia. Jamais foi Sua pretensão que a igreja se tornasse numa fábrica de lunáticos.

O discipulado autêntico é aquele que nos desafia a encarnar a mensagem de Cristo, tornando-nos agentes transformadores do Reino, inseridos numa sociedade corrompida. O verdadeiro discipulado é o que envia ovelhas para o meio dos lobos.

O mais importante não é encher a igreja, mas encher o Mundo com o conhecimento de Deus.

Enquanto quebramos maldições hereditárias, o abismo entre gerações se acentua, e assim, 'maldições existenciais' se perpetuam.

Buscamos cura interior, enquanto lá fora, há chagas sociais que precisam cicatrizar, hemorragias que ainda não foram estancadas.

Discutimos o sexo do anjos, enquanto pequenos anjos, abandonados nas ruas, são molestados diariamente por quem deveria protegê-los.

Reagimos violentamente contra leis que poderiam prejudicar a igreja, mas não nos importamos com leis que prejudicam os mais necessitados.

Mania de coar mosquitos e engolir camelos!

- Limpem bem seus pés quando entrarem no templo para não estragar o carpete novo.
Amém ou não amém? E não se esqueçam de se escrever em mais um congresso a ser realizado no hotel tal, por uma bagatela de 400 reais.

Tornamo-nos uma caricatura da igreja de Jesus.

Enquanto a sociedade se debruça sobre questões de primeira grandeza, voltamo-nos para nós mesmos, preocupados com questiúnculas.

- Não podemos perder para os gays, não é verdade? Se eles reuniram três milhões em sua infame parada, vamos reunir o dobro em nossa marcha pra Jesus.

Grande coisa!

Ah se os crentes soubessem que muitos desses manifestos são apenas demonstrações de poder político!

É por essas e outras que, a cada dia, cresce assustadoramente o número de desigrejados. Uma massa descontente com os rumos tomados pelas igrejas.

Quando sairemos às ruas em favor do oprimido? Quando deixaremos de lado nossa postura arrogante e estenderemos as mãos aos necessitados?

Enquanto mantivermos o dedo em riste, em espírito inquisitório, o mundo nos dará outro dedo.

Quando as igrejas deixarem de ser currais eleitorais, e se tornarem centros de cidadania; quando deixarem de se preocupar com o próprio umbigo, e voltar-se para fora, então a esperança triunfará. O dedo que antes apontava os erros, passará a indicar o caminho.

Texto de Hermes C. Fernandes

quinta-feira, junho 18

Muito além da forma


“O mal que ELE abençoa se torna nosso bem. O bem que ELE não abençoa se torna nosso mal. Se for da terna vontade de Deus, todas as coisas são certas por mais erradas que elas pareçam.”
( A.W. Pink em seu livro Deus é Soberano)

Não conhecemos a obra de Deus deste o principio até o fim. È justamente por isso que precisamos ter uma visão global dos fatos da vida. E para isso Deus colocou a eternidade dentro do nosso coração (Eclesiastes 3;11). Pois ela, a eternidade (Kairos), é a esfera de Deus onde não existe passado nem futuro, mas sim um constante agora. Ou seja, Deus tem uma visão integral dos fatos, tudo acontece concomitantemente diante DELE.

Essa maneira de enxergar a vida nos livra de muitos males.

Pois a percepção que temos do que é mal, reside na nossa ignorância acerca do todo. Na maioria das vezes o que vemos é apenas a cor contrastante de uma pintura ou a dissonância de uma composição musical. De primeira vista parece tratar – se de algo ruim, mas quando se olha ou escuta da maneira certa, percebemos que tudo se encaixa perfeitamente. A vida é composta dessas diversividades de experiências, elas nos tornam mais fortes, nos preparando para a novidade que estar por vir.

Por mais que a terra esteja sem forma e vazia, precisamos ter em mente que o espírito de Deus já se move sobre a face das águas. (Gênesis 1;2)

È interessante que no original, a palavra de onde se traduz “mover ou paraiva”, significa “chocar”. Quer dizer, em meio ao caos, o Espírito de Deus já chocava sobre as águas.

Não é a toa que a vida surgiu da água. Da mesma forma, não devemos nos focar nas formas (circunstâncias). Nossa visão precisa ir além delas, ela precisa alcançar as águas. Pois lá esta sendo preparada a vida.

Ao invés de abaixarmos a cabeça quando tudo parecer errado ou quando não houver motivos para sorrir, precisamos levantar as mesmas para o alto (Colossenses 3;1). Isso não se trata de alienação, pelo contrário é olhando para as coisas que são do alto que se entende o que acontece aqui em baixo. Pois o “olhar para o alto” nos leva a “olhar do alto”.

Olhar PARA o alto faz com que não nos foquemos diante do caos. Antes, sabemos que é de lá, do alto, que vem nosso socorro. Já olhar DO alto nos dá uma visão integral dos fatos e a certeza de que Deus já esta chocando a vida em meio ao caos.

Seja em qualquer cenário a mão DELE nos Sustenta, SUA graça se faz presente em qualquer situação. “Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer nas profundezas a minha cama, tu ali também estás. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá (...)” (Salmos 139)

Como diz Caio Fábio; “A maior de todas as graças é enxergar a GRAÇA na desgraça.” Que possamos subir nos ombros de Cristo, para enxergarmos muito além das formas e vislumbrarmos o que se esta sendo preparado.

O fato de saber que Deus já esta chocando, faz com que não fiquemos chocados diante das situações adversas.

Isso é chocante !!

segunda-feira, junho 15

Trocando beijos com Deus

Transcrição do sermão pregado na manhã de (14/06/09)
Pastor Cecílio Junior.
Santa Ceia ministrada na Reina do Engenho Novo.

Deus de certa forma é um Ser romântico. E tem coisa melhor para expressar o romantismo do que um beijo? De fato o beijo expressa vários sentimentos. Mas será que é possível trocar beijos com Deus?

Antes de tudo é interessante definir o que é o beijo? Um beijo (do latim basium) é o toque dos lábios com qualquer coisa, normalmente uma pessoa. Na cultura ocidental é considerado como um gesto de afeição.

No livro de Cânticos encontramos em Salomão e Sulamita, sua amada, a representação do relacionamento entre Cristo, e sua noiva (a igreja).

“Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.” (Cantares 1.2)

Mas como os lábios de Deus nos tocam? Será que eles já nos tocaram?

SEUS lábios chegam até nós através da graça. “Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre.” (Salmos 45, 2). Ela é uma espécie de beijo, a saber, imerecido. È um beijo que nos constrange. Pois não merecíamos o amor DELE, o perdão, a redenção e a salvação.

Outra forma DELE nos beijar é através de SUAS Promessas: “Não quebrarei a minha aliança, não alterarei o que saiu dos meus lábios.” (Salmos 89:34). Os lábios de Deus nos tocam com o cumprimento das promessas. Elas são atemporais, antecedem nossa existência. Em Cristo somos herdeiros delas antes de termos nascido. Tudo aquilo que foi prometido para Abraão encontra o “sim” em Jesus, logo se estamos NELE somos participantes dessas promessas.

Existe também uma terceira forma de Deus nos beijar. Este beijo a principio não parece ser muito agradável. ELE também nos beija através do SEU Juízo. “Bendito és tu, ó SENHOR; ensina-me os teus estatutos. Com os meus lábios declarei todos os juízos da tua boca.” (Salmos 119, 13)

Deus não é Sádico, ELE não tem prazer no sofrimento do homem. A prova disso é que ELE castiga quem de fato é Seu filho, a fim de endireitar nosso caminho. O juízo também é uma demonstração da graça de Deus. Pois não merecemos o concerto de Deus. Mas SUA graça, esse maravilhoso presente imerecido, é manifestada nos Juízos para nos trazer de volta para o caminho de Cristo. O SEU juízo é um beijo doce, por mais que pareça amargo. É uma grande demonstração do Amor Divino, pois ELE quer o nosso melhor.

Que os lábios de Deus possam nos tocar com a Sua Graça, Promessas e Juízo.

Existe algo pior do que beijar alguém e perceber que este alguém reagiu friamente ao seu beijo? A vida com Deus é um relacionamento. Assim como nos beija, Deus também deseja ser beijado. Mas quem já viu Deus? Como então nossos lábios tocam a Deus?

Uma das formas de tocarmos SEUS lábios é através da oração. “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (II Crônicas 7:14)

Ela não muda a vontade de Deus. No entanto ELE nos concede esse recurso. Com ela verbalizamos o que estamos vivendo e sentindo. E quando vivemos uma vida sem oração, é como se estivéssemos reagindo de maneira fria aos beijos de Deus.

Se na oração falamos COM Deus, com o louvor falamos DE Deus. O louvor é outra forma de beijarmos Deus; “Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o teu louvor.” (Salmos 51:15). Mais do que entoar cânticos, devemos falar de Deus através do nosso comportamento diário. Os cânticos servem como um aferidor, ou seja, eles revelam a maneira que temos vivenciado Seu louvor na nossa vida.

O beijo representa o que esta no coração, por isso Deus espera que o nosso coração esteja junto com os lábios na hora de beija- LO. Devemos adorá-LO em Espírito e em Verdade. Isso demonstra uma coerência, fazendo com que não nos tornemos hipócritas.

Mas infelizmente existe também um beijo que beira a superficialidade e que é praticado por muito de nós, ele é o beijo da falsidade. “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Matheus 15; 8)

Em Lucas 22:48, encontramos o beijo mais famoso de todos; “E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?”

Alguns teólogos afirmam que Judas esperava por um Messias glorioso, revestido de formosura. Porém Jesus se apresenta de forma simples, com humildade, pregando o amor ao próximo. Ao invés de cavalgar em um cavalo branco, Jesus prefere usar uma jumentinha. Isso contrariou completamente as expectativas daquele povo.

Assim também muitos de nós traímos Jesus, quando ELE faz algo que não queremos ou esperamos. Focamos por demais em buscar a Deus somente por aquilo que ELE tem para nos oferecer. Seria importante termos em mente que não somos merecedores de nada daquilo que Deus tem nos dado. Precisamos nos apegar ao caráter DELE e não somente naquilo que tem nos oferecido. Pois não somos dignos de beijar seus lábios, seu rosto e nem suas mãos.

Interessante que os romanos tinham 3 tipos de beijos: o basium, trocado entre conhecidos; o osculum, dado apenas em amigos íntimos; e o suavium, que era o beijo dos amantes. Os imperadores romanos permitiam que os nobres mais influentes beijassem seus lábios, enquanto os menos importantes tinham de beijar suas mãos. Os súditos podiam beijar apenas seus pés.

Neste contexto ocorre o que esta em (Lucas 7: 37- 38)

“E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; 38 E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.”

Existem aqueles que se acham bons demais a ponto de não se humilharem. Devemos aprender com o beijo daquela pecadora que ungiu os pés de Jesus. Ela não foi digna de beijar as mãos e nem os lábios de Cristo. Antes reconheceu seu estado de pecado e se apresentou como serva, beijando seus pés.

Tendo em vista que Deus tem beijos para nos dar e que ELE também deseja ser beijado, precisamos nos preparar para essa troca de beijo. Assim como Ester se preparou para encontrar com o rei Assuero. Da mesma forma ELE deseja que estejamos preparados, a saber, com o cheiro da santidade, com humildade que é fruto de um coração quebrantado.

Eis o que ELE precisa encontrar nos lábios da igreja;

“Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano.” (Cânticos 4;11)

“Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!” (Salmos 19:14)

Que estejamos preparados para trocar demorados beijos com Deus !

sexta-feira, junho 12

Uma presença ausente

O que nos faz diferentes das outras pessoas? Será que a maneira de se vestir ou um conjunto de regras a serem seguidas de maneira religiosa, nos tornam seres diferenciados? Somos focados demasiadamente nas formas, temos uma visão muito superficial. De fato “o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (I Samuel 16: 7b).

Fico imaginado Jesus, ELE se vestia como os demais, não havia nada em sua aparência que o distinguia. Não é à toa que Judas precisou lhe dar um beijo para que os soldados pudessem saber quem eles deveriam prender. Se fosse o contrário era só Judas falar; “prendam aquele que brilha como o Sol, que tem olhos azuis, cabelos longos... o mais belo de todos.” Não! Jesus era um homem normal.

Como então se tornar diferente? Essa pergunta me fez lembrar de algo que aprendi nas aulas de química:

Experimente colocar água e óleo dentro de um balde. Embora seja uma mistura, iremos perceber nitidamente que essas substâncias ficarão separadas, formando assim duas fases, pois são líquidos imiscíveis, ou seja, que não se combinam. Mesmo estando no mesmo ambiente (o balde), é possível perceber a diferença e identificar a localização da água e do óleo.

Esse simples exemplo químico pode servi de analogia; biblicamente falando, água representa os povos, multidões, nações e línguas (ver Apocalipse 17;15). E quando se fala em óleo logo vem à mente unção, capacitação. Tendo isso em vista, fica mais fácil perceber que o que nos diferencia não é o que fazemos, mas sim a ação do Espírito Santo em nós. É ELE que nos capacita para vivermos em comunidade, fazendo com que venhamos resplandecer como astros no mundo (I Coríntios 15:41).

Da mesma forma deve ser a nossa relação com os ambientes freqüentados. É fundamental que aja uma diferenciação para com aqueles que estão inseridos neste ambiente. Porém tal diferença transcende a forma, antes ela se dá de dentro para fora. Mesmo inserido existencialmente dentro de um mesmo ambiente, não se deve participar da essência dele. Deve-se transitar sem se conforma, estar presente e ausente ao mesmo tempo. Presente no ambiente, porém ausente do sistema que permeia o lugar.

Jesus vivia uma “presença ausente”, ou seja, freqüentava todos os ambientes e interagia com diversas pessoas, mas sem se conformar. Mas hoje em dia temos vivido uma “ausência de presença”, fruto de uma alienação que nos isola do resto do mundo. Enquanto o mundo anseia com expectativa a revelação dos filhos de Deus, preferimos o isolamento eclesiástico, ser “sal no saleiro” e não no mundo. Abandonamos quem de fato precisa de nós.

A oração DELE foi para que o Pai não nos tirasse do mundo, mas que fossemos guardados do mal (João 17:15). Assim poderemos estar presentes e ausentes em qualquer ambiente que a SUA luz desejar brilhar, sem nos contaminar.

Daniel, o profeta viveu bem isso. Mesmo inserido no palácio de Nabucodonosor, não se deixou seduzir pelos manjares do rei. E o que falar de Jesus? Este sabia como ninguém se fazer ausente mesmo estando presente. Mesmo convivendo com prostitutas, nunca se prostituiu. Mesmo almoçando com um cobrador de impostos, nunca foi corrompido pela ganância do dinheiro. Dialogava com fariseus e escribas sem ser contaminado pela hipocrisia da religiosidade

ELE freqüentava a roda dos escarnecedores, mas não se assentava nela. Não dançava conforme a música, ao contrário era ELE que ditava o ritmo. Demonstrando assim que a diferença não reside nos lugares que freqüentamos ou deixamos de freqüentar, mas sim no comportamento adotado nesses lugares.

Que voltemos a ser normais como Cristo, pois este é o modo de levarmos SUA vida ao mundo.

quarta-feira, junho 10

Como se fosse a primeira vez

Na próxima sexta – feira, dia 12 de junho será comemorado o dia dos namorados. Esta é uma semana romântica, todos estão se preparando para presentear de alguma forma a pessoa amada. E para atender essa demanda, o comércio esta aquecido, campanhas de promoção são desenvolvidas e voltadas para esse nicho.

Dentre elas uma me chamou muito a atenção, trata- se daquela criada pelo “Boticário”. A empresa produziu um comercial que traz a emoção do primeiro beijo para a tela, representada pela explosão de uma bomba atômica. Com o passar do tempo, os beijos entram na rotina e vão ficando sem graça, até minguarem, como o estouro de um milho se transformando em pipoca.

De fato existe o risco da rotina provocar alteração nas sensações. Se antes fazíamos algo porque queríamos fazer, agora passamos a fazer porque temos que fazer. E isso nos leva para um outro perigo, a saber, o de agir mecanicamente.

Nenhum relacionamento deve ser vivido de maneira mecânica, isso implica em condicionamento, pois nem sentimos o que estamos fazendo. Tal forma de agir esta presente ao dirigir um carro ou em alguma tarefa repetitiva que faça parte de um processo produtivo. Mas isso não deve ser migrado para outras áreas.

Paulo, o apóstolo, nos orienta a falar de Deus na presença de Deus (II Coríntios 2:17). O objetivo dessa orientação é o de resgatar nosso senso de concentração. Não é à toa que o nosso culto deve ser racional ( Romanos 12.1), temos que ter ciência do que estamos fazendo.

Não podemos deixar com que a correria do dia venha tirar o sabor das ações que praticamos. Pode parecer redundante, mas devemos comer sabendo que estamos comendo, ouvir uma música sabendo que estamos ouvindo, escrever sabendo que estamos escrevendo, beijar sabendo que estamos beijando e orar sabendo que estamos orando.

É por isso que nossa consciência deve ser tomada pela sensação gerada pelo primeiro amor. Pois nela aproveitamos ao máximo cada situação, fazendo com que pelo menos por um momento o tempo fique congelado.

Diante deste cenário me vem a pergunta; O que é mais proveitoso; viver cada momento como se fosse o último, ou viver cada instante como se fosse o primeiro de nossas vidas ?

A vida não deve ser vivida em um extremo, antes o melhor é transitar em uma linearidade. No que diz respeito a questões de ajudar o próximo, de perdoar, devemos viver como se fosse o último dia, isso devido ao caráter de urgência que a situação exige. Agora em se tratando de questões relacionais e de longo prazo, o melhor é viver como se fosse o primeiro dia.

O problema é quando aplicamos erradamente a maneira de se viver. Tomemos por exemplo: se buscarmos aplicar o “viver como se fosse o primeiro dia” nas questões de caráter social, sempre iremos protelar, “empurrar com a barriga”, deixando para amanhã o bem que poderíamos fazer hoje.

Por outro lado se aplicarmos o “viver como se fosse o último dia”, nas questões relacionais iremos desgasta- la antes do tempo. Assim fazendo, estaríamos tratando questões de longo prazo de maneira imediata e questões de curto prazo de forma longânime.

Viva ao mesmo tempo com se fosse o último e o primeiro dia da sua vida. Cada situação irá exigir uma postura específica. Não perca o fio da meada, tenha sempre em mente a sensação do começo de tudo, pois ela é fundamental para nos conduzir até a consumação do propósito.

Que a Graça de Deus possa nos ajudar a achar graça em todas as coisas, desde as simples até as mais sofisticadas. E nos faça manter a imensa gratidão daquelas primeiras experiências, cientes de que tudo isso é uma dádiva.

*Assista aqui ao comercial da campanha.

segunda-feira, junho 8

A rádio corredor

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Via Pavablog

sexta-feira, junho 5

Dia Mundial do Meio Ambiente


Foi no ano 1972, em Estocolmo, na Suécia, no seu primeiro encontro mundial sobre meio ambiente, que a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o dia 5 de junho como o “Dia Mundial do Meio Ambiente”, o Dia da Ecologia. Naquele momento também foi criado o UNEP (PNUMA) Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. E se confirmou que o meio ambiente deve estar no centro das preocupações da humanidade, e que o futuro da Terra depende do desenvolvimento de valores e princípios que garantem o equilíbrio ecológico.

Agora, depois de 37 anos, em 2009, neste Dia Mundial do Meio Ambiente, devemos nos perguntar se, de fato, o meio ambiente está no centro de nossas preocupações. E a resposta deve vir das ações cotidianas das pessoas, dos empreendimentos das empresas e das políticas dos governos. Será que, a partir de 1972, o meio ambiente ganhou centralidade em nossas decisões, em nossos pensamentos e ações?

Não há dúvida de que a questão ecológica ganhou espaço na mídia, nas escolas, nas conversas cotidianas, nos movimentos sociais, partidos de várias tendências, nas pastorais, nas universidades e em vários lugares e espaços da vida social. O meio ambiente ganhou o discurso da nossa geração, virou tema propício para nossas conversas. Agora, porém, cabe-nos uma autocrítica. Neste período em que progredimos tanto na maneira de ver a questão ambiental, evoluímos no debate e alargamos os espaços de ocupação das temáticas ambientais, precisamos interrogar nossas ações e avaliar os resultados das nossas decisões sobre o meio ambiente.

Com tanto debate que a ecologia nos proporcionou, será que realmente mudamos a maneira de pensar e ver a vida? Mudamos nossas arcaicas concepções sobre a natureza, sobre as pessoas e as mais diversas formas de vida? Estamos preocupados. Sim! Mas, estamos decididos a mudar o padrão de consumo, por exemplo? Aprendemos a usar os recursos naturais de forma sustentável? Ainda mantemos nossa ganância, o luxo, a opção pelas facilidades a todo custo, sem nos perguntarmos sobre a capacidade sustentável do planeta e sobre as necessidades das outras pessoas e de outros povos?

Já no primeiro encontro da ONU sobre meio ambiente, acima referido, se confirmou que o futuro da Terra depende do desenvolvimento de valores e princípios que garantem o equilíbrio ecológico. E, hoje, onde estão esses valores e princípios? Se eles existem, então, devem estar movendo nossas ações. A ecologia nos abre os horizontes, nos faz ver a realidade socioambiental, nos interpela para a ação, mas questiona e ilumina nosso agir. Não basta simplesmente agir, é preciso mudar, transformar de dentro para fora.

Como diz o teólogo Leonardo Boff, é preciso mudar nosso paradigma. Ou seja, precisamos mudar a matriz do nosso modelo de sociedade, das nossas concepções, valores, pensamentos, conceitos. Uma mudança de vida para preservar a Terra e tudo o que vive nela, requer uma mudança profunda no ser humano. Em relação a muitas coisas, até podemos fazer opções e tomar atitudes sustentadas por campanhas publicitárias. Mas, as nossas ações ecológicas precisam ser sustentáveis, precisam ser amparadas por valores e princípios fundamentais e profundos. Nosso agir ecológico deve ser consistente, não pode ser descartável e precisa consistir e evoluir de geração em geração.

No Dia Mundial do Meio Ambiente de 2009, após 37 anos de a data ser proclamada, temos algo importante a fazer. Como humanidade, precisamos olhar nossa trajetória e, pensando no futuro, nos perguntar sobre quais os valores e princípios que estamos assumindo e incorporando na nossa vida, e que podem garantir o equilíbrio ecológico da Terra. Precisamos conferir se meio ambiente, de fato, ganhou a necessária centralidade. A questão é esta. No centro de nossas decisões e de nosso agir está a integridade da vida ou a mesquinhez do lucro, do luxo e do consumismo?

Precisamos pensar bem e agir bem, pois, a vida sente os reflexos de nossas ações e decisões. Um relatório divulgado pelo Fórum Humanitário Global no último dia 29 de maio, diz que “a mudança climática mata cerca de 320 mil pessoas por ano, de fome, doenças ou desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil até 2030”. E para os que só pensam no lucro e em nome do crescimento econômico degradam o meio ambiente, é importante lembrar que os prejuízos causados pela mudança climática já superam os 125 bilhões de dólares ao ano. E este valor é mais do que a ajuda dos países ricos para os pobres.

Que o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Dia da Ecologia, nos faça pensar e agir. E também nos ajude a mudar o modo de pensar e agir. Pensar sem agir é anular o pensamento e agir sem pensar é a pura prepotência de achar que se está fazendo tudo certo.

Texto do Frei Pilato Pereira, extraído do blog Olhar Ecológico
Via Hermes C. Fernandes

Fast Faith


Quem nunca teve em um dia atarefado, sua fome saciada por uma refeição rápida, servida em um intervalo pequeno de tempo? Com certeza em algumas ocasiões as redes de fast food caem como uma luva para satisfazer uma demanda imediata. Tal refeição pode "quebrar um galho", desde que utilizada da maneira certa.

O Consumo do fast food deveria ser algo esporádico, porém cada vez mais tem sido usado de forma exponencial, ou seja, sendo elevado à potência do mais. Aquilo que era para ser utilizado “de vez em quando” acaba se tornando um hábito, um estilo de vida. O resultado disso pode ser percebido em alguns quilos a mais, aumento do colesterol e até fraqueza.

Tenho notado que em alguns momentos temos vivido uma espécie de Fast Faith (Fé Rápida). Uma fé baseada no estilo adotado pelo Fast Food, que procura trazer resultado no nosso tempo e não no de Deus. Veja, ELE também age em um intervalo pequeno de tempo, sempre esta disposto e disponível para aliviar nossas dores de maneira instantânea e rápida. O problema é quando atribuímos constância naquilo que deveria ser inconstante.

Tem que se tomar cuidado para que nossa relação com Deus não se torne algo similar, ou seja, construída apenas para se ter as necessidades satisfeitas. De fato ELE é o nosso socorro bem presente na hora da tribulação, mas a nossa comunhão precisa estar fundamentada naquilo que ELE É, e não ficar somente focada naquilo que ELE Faz.

Muitos só O buscam quando a coisa aperta, só O querem para aliviar a dor. E quando tudo vai bem? Será que não precisamos mais de Deus? Concordo com o que diz Millôr Fernandes; “O cara só é 100% ateu quando está muito bem de saúde.” Esse é o problema de se buscar Deus pensando naquilo que ELE tem para oferecer. Tornamos-nos seres efêmeros e ao mesmo tempo enfermos, doentes da nossa própria efemeridade. O resultado disso tudo só poderia ser um: pessoas inchadas, porém sem consistência. São consistentes naquilo que deveria ser utilizado de forma esporádica.

Com isso o homem passa a ser constante onde era para ser esporádico; e passa a ser esporádico onde deveria ser constante.

Mais do que um “fast food”, pronto para nos aliviar de maneira rápida, Deus deseja se assentar e participar de um banquete com Seus filhos. Construir relacionamentos e compartilhar a vida que ELE tem de forma abundante. Proporcionando assim uma comunhão mais profunda, saudável e duradoura. Cada alimento servido nesse banquete deve ser mastigado de forma lenta, para que todos os nutrientes sejam aproveitados, criando assim uma espécie de “reserva” que poderá ser utilizada no dia da angustia e da tribulação.

Que cada um venha “reter firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso.” (Tito 1;9ª). Assim quando o dia mal chegar, não ficaremos desesperados sem saber o que fazer, em busca de alguma “campanha- corrente” ou de uma “nova revelação” e nem tão pouco iremos correr desesperadamente buscando alivio, pois isto a própria Palavra que nos alimentou irá tratar de fazer. O SEU Espírito nos fará lembrar de tudo aquilo que foi servido no banquete.

Portanto quando nos voltamos firmemente para o Deus que É, temos acesso também ao Deus que FAZ. E isso nos conduz para um novo estilo de vida, fazendo com que “não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Pelo contrário vamos continuar “seguindo a verdade em amor, para que cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4; 14e 15).

* Imagem cedida gentilmente pela designer Lenara Monteschio

quarta-feira, junho 3

Onde estava Deus enquanto o avião caía ?

Primeiro, quero deixar claro que não pretendo ser advogado de Deus. Ele não precisa de defesa humana.

Antes disso, pretendo apenas estimular a reflexão em um momento de tanta dor como este, em que centenas de famílias choram a perda de alguém em um trágico acidente aéreo.

Sempre que acontece alguma tragédia, esta questão volta a ser debatida nos mais diversos ambientes, seja na sala de aula de uma universidade, numa igreja, ou em um bar na esquina.

De um lado, há os que chegam ao extremo de negar a soberania divina, por acreditar que um Deus que fosse ao mesmo tempo Todo-Poderoso e Todo-Amoroso, jamais consentiria com uma tragédia como essa.

Do outro lado, há os que se arrogam advogados de Deus, afirmando que se Deus permitiu tal coisa, é porque não havia um único justo naquela aeronave.

Ambos os extremos são danosos à saúde espiritual.

Afinal de contas, onde Deus estava?

Será que foi um descuido da providência?

Ou sera que Deus não se importa com a dor humana?

Deus estava onde sempre esteve.

Ele não é uma espécie de voyeur celestial, que só faz assistir enquanto a trama humana se desenrola. O deus dos deístas é apenas uma caricatura muito mal acabada do Deus revelado nas Escrituras cristãs.

Parafraseando o slogan de um antigo comercial de TV, não basta ser Deus, tem que participar. E Ele, definitivamente, participa da história, tanto em seus momentos de glória, quanto naqueles nos quais O acusamos de passividade.

Basta que haja uma tragédia dessa proporção, que logo nos esquecemos de tantos momentos maravilhosos que Sua inefável graça nos tem concedido.

Enquanto aquele avião caía, sem que ninguém soubesse, senão os que nele estavam, milhares de crianças estavam nascendo em todo mundo.

Onde estava Deus? Nos corredores das maternidades, congratulando-se com os pais, enquanto nasciam seus rebentos.

Onde estava Deus? Nos quartos onde casais apaixonados se amavam ardentemente.

Onde estava Deus? Nos lugares onde havia razões para que Suas criaturas queridas pudessem celebrar.

Mas não apenas aí. Ele também estava sob as marquises, confortando os desabrigados. Estava também na companhia daqueles que velavam o corpo de um ente querido que se foi. Ao lado da mãe que abortara acidentalmente o bebê que tanto aguardava. Atrás das grades, apaziguando a consciência de quem fora preso injustamente, e trazendo arrependimento a quem cometera um crime.

E finalmente, Ele também estava lá, dentro daquele avião, participando da dor e do desespero daquela gente.

Ora, se Ele Se importa tanto, por que não impediu?

Não sei. Mas sem querer parecer piegas, creio firmemente que para tudo há um propósito.

De uma forma ou de outra, somos todos filhos da tragédia.

Não fosse os horrores da primeira guerra mundial, meus bisavós não teriam se mudado para o Brasil, meus pais jamais teriam se conhecido, e eu não estaria aqui digitando esta reflexão.

Ele é o arquiteto das contingências. E por mais difícil que seja compreender tal coisa, devemos, no mínimo, manter a reverência, em vez de murmurar e blasfemar contra a Sua santidade. Reflitamos sobre as sábias palavras encontradas no Salmo 139: "Tal conhecimento é maravilhos demais para mim, elevado demais para que possa atingir. Para onde me irei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer nas profundezas a minha cama, tu ali também estás. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão meguiará e a tua destra me susterá (...) Todos os dias que foram ordenados para mim, no teu livro foram escritos quando nenhum deles havia ainda. Quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão vasta é a soma deles!" (vv.6-10,16b-17).

Embora Deus seja perfeito, vivemos em um mundo imperfeito, afetado pelo pecado, pela ganância, pela corrupção. Portanto, antes de querer julgar a Deus, ou mesmo defendê-lO, olhemos para a Cruz, e encontremos nela a presença de um Deus que Se importa tanto com a dor humana, que fez questão de experimentá-la a fim de conosco Se solidarizar.

E fitemos nossos olhos no porvir, onde, graças ao Seu sacrifício vicário, já não haverá dor, nem lágrimas, nem morte. Enquanto não chega esse dia, sigamos a recomendação bíblica, chorando com os que choram, e oferecendo-lhes nossos ombros e nosso amor.

Texto de Hermes C. Fernandes

* Charge do Lute no jornal Hoje em Dia (via Pavablog)

terça-feira, junho 2

Provisão


Sua Presciência previu minha corrupção
E ainda que merecesse condenação
Me presenteou com o perdão

Deixou preparado de antemão
O plano da Crucificação
De onde provém a Redenção

És criador e redentor
Suportou toda a dor
Sendo motivado pelo Amor

Na Cruz o meu pecado te consome
Enquanto que O Seu amor me constrange

Negligenciou o tempo e o espaço
Não foi pego de surpresa pelo acaso
Antes de me formar já sabia que eu iria pecar
Mesmo assim insistiu em me amar e criar

Muito antes do verbo encarnar
Já estava disposto a me salvar
A Cruz era o Seu lugar
Antes de tudo criar

O Ser Transcendente se fez iminente
Tendo como morada o coração da gente
Como posso me arrogar ou de alguma forma participar
O único trabalho que tenho é o de descansar
É me entregar e confiar
Pois tudo Ele fez, faz e fará

Autor: Bruno Jardim

segunda-feira, junho 1

Malandro é malandro ou é Mané?

“Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”
(Gerson)

Com essa frase o meio – campista Gerson, nosso canhotinha de ouro, se tornou o “patrono dos espertalhões”. Tal frase se tornou popular e conhecida como; A Lei de Gerson. Deste então, ela tem sido aplicada nas pessoas que em um sentido negativo, se aproveitam de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais.

De fato todo mundo gosta de levar vantagem, mas o problema é a forma como se busca isso. Existe o risco de cairmos em outra máxima conhecida com sendo a de Maquiavel onde diz que; “Os fins justificam os meios”.

Podemos traçar um paralelo entre a máxima maquiavélica e a lei de Gerson. Em certo sentido ambas estão centradas no resultado (fim), pouco se importa com o meio pelo qual tal fim será atingindo. Principios e valores não existem mais, todo mundo tem um cifrão na testa e esta pronto para ser vendido por qualquer trocado. Nesse tipo de pensamento o importante é fazer o que dá certo sem se preocupar com o que é certo. È melhor se servi das pessoas e não servi as pessoas.

Será que Deus concorda com esse estilo de vida? Será mesmo que ELE escreve certo por linhas tortas?

Busca- se justificar os meios com os fins, achando que tudo é válido para acertar o alvo. No momento em que utilizamos meios ilícitos para atingir algum fim lícito, estamos errando o alvo com o propósito de atingir o mesmo. Que coisa! Para se acerta o alvo vale tudo, até mesmo errar o alvo. É como querer utilizar o pecado para gerar vida, não tem como, pois cada árvore produz frutos de acordo com a sua espécie.

Veja, todo fim (objetivo) que é alcançado através de meios errados, esta condenado ao fim (encerramento). È como uma casa construída em um fundamento de areia, por algum momento ela até fica de pé, mas vem abaixo na primeira ventania que enfrenta. Não há nada oculto que não seja descoberto, vide os casos de corrupção que vieram à tona em nosso país. Todos eles foram fins atingidos pelos meios errados. Mais cedo ou mais tarde a casa cai.

Em nosso ministério, temos por costume parafrasear Maquiavel dizendo que: “Deus decreta os fins e estabelece os meios!”

Tudo aquilo que ELE tem para realizar será concretizado pelos meios que já foram estabelecidos por ELE mesmo. Seu modo de agir é o mais perfeito. Deus escreve certo por linhas certas. Garantindo assim uma perpetuidade de suas obras. Elas duram para sempre, são atemporais, pois não estão fundamentadas em meios ilícitos. Nele tanto o fim quanto o meio estão em perfeita harmonia.

Lembro – me quando Davi estava prestes a enfrentar Golias, diz a bíblia que “Saul vestiu a Davi de suas vestes, e pôs-lhe sobre a cabeça um capacete de bronze; e o vestiu de uma couraça. E Davi cingiu a espada sobre as suas vestes, e começou a andar; porém nunca o havia experimentado; então disse Davi a Saul: Não posso andar com isto, pois nunca o experimentei. E Davi tirou aquilo de sobre si ( II Samuel 17.38 -39).”

Da mesma maneira somos tentados diariamente a tomar emprestadas certas “Armaduras de Saul”, elas representam um caminho alternativo, ou um “jeitinho” para se chegar a algum fim. Mas uma vida guiada pelos princípios de Deus se sente desconfortada com tais patrocínios, assim como Davi se sentiu. Antes, ela tem a garantia que o fato de ter entregado o caminho ao Senhor, de confiar Nele, o mais ELE fará. (Salmos 37.5)

Nossa confiança precisa esta fundamenta na Provisão Divina e não no “jeitinho brasileiro”, não é preciso dar nó em pingo d”água, é só confiar em Deus, pois se for preciso ELE nos faz andar por sobre ela.

O problema é que muitos tem se acostumado com esses meios e acabam se conformando com os auxílios de Saul. No fundo Saul não queria ajudar, antes ele queria receber os créditos por uma eventual vitória de Davi. E caso este houvesse aceitado aquela oferta, ficaria com o “rabo preso” a Saul.

Davi prefere contar com a Provisão Divina. Então ele “tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco seixos do ribeiro, e pô-los no alforje de pastor, que trazia, a saber, no surrão, e lançou mão da sua funda; e foi aproximando-se do filisteu (II Samuel 17.40).”

O restante desse episódio é conhecido, todos sabem que; Davi prevaleceu sobre Golias, sem que tivesse uma espada na mão.

Deus tem nos dotado das ferramentas necessárias para que Seus fins sejam atingidos, para isso é necessário identificar e otimizar ao máximo cada meio que ELE estabeleceu. Temos a faca e o queijo nas mãos! Não precisamos da “armadura de Saul” para vencer, se Deus colocou algumas pedrinhas em nosso arsenal bélico, serão com elas que vamos vencer. Com Deus mais é menos, com ELE sempre levamos vantagem em tudo, Nele temos a certeza de que “maior é o que esta em vós do que aquele que está no mundo (I João 4:4b).” Quer vantagem maior do que esta?